Brinquedo, vitamina, panela ou peixe. Eles vendem isso e mais um pouco

Grupo M.Cassab, dono de mais de uma dezena de negócios, entre eles a rede Spicy, estreia no [br]mercado de pescados

Cátia Luz, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

Não tem a sofisticação da Spicy, rede de utensílios domésticos do grupo, nem o jeitão moderninho da loja conceitual dos brinquedos Lego, que também faz parte do conglomerado. O novo negócio da M.Cassab está em uma fazenda. Em Rifaina (SP), o grupo, que faturou no ano passado R$ 680 milhões, está tirando do papel sua mais recente aposta: a criação de peixes e a construção de um frigorífico.

"A ideia é dominar todo o processo: da produção à comercialização de produtos como filés congelados ou empanados para supermercados e restaurantes", diz Victor Cutait Neto, diretor da M.Cassab, que divide com dois irmãos, a irmã e o cunhado o comando da empresa, fundada pelo avô, em 1928. Seu pai, Fabio Cutait, faz parte do conselho.

A estreia em novos mercados é corriqueira. O grupo, que começou com a produção de café, hoje conta com mais de uma dezena de negócios. Da distribuição dos brinquedos da Lego no Brasil e de utensílios domésticos no varejo à exportação de cosméticos. Do fornecimento de insumos para a fabricação de ração animal à formulação de concentrados para fabricantes de bebidas e alimentos. Na maior parte dos negócios, o grupo atua como um importador. E 80% das receitas vêm da área química.

Para explicar a busca contínua por novos segmentos e justificar as 14 áreas de negócios, Victor Cutait recorre a um lema da família: "Passado é história, não é garantia". "A diversificação não representa um risco, desde que a estratégia de cada negócio seja bem conduzida", diz Leonardo Araújo, professor de Marketing da Fundação Dom Cabral.

No caso da criação de peixes - mais especificamente tilápias -, foi o mercado potencial no País que motivou o investimento do grupo. "O consumo per capita por ano de pescados no Brasil é de cerca de 9 kg, contra 22,5 kg na China, por exemplo", explica o oceanógrafo Sílvio Romero Coelho, chamado pelo grupo para comandar a nova unidade. Para testar os canais de comercialização, o grupo começou a importar no início do ano conservas de pescados, que já estão à venda em 28 pontos de venda em São Paulo. A produção própria, que vai começar com 10 toneladas/mês, deve chegar ao mercado no último trimestre do ano, sob a marca Fider. A expectativa é que, em dois anos, atinja 300 toneladas/mês. Segundo Coelho, a vantagem da aquicultura é permitir que a produção seja padronizada, rastreada e constante.

Attílio Leardini, fundador da Leardini, com vendas de 25 mil toneladas de pescados por ano, diz que a notícia do novo concorrente não incomoda. "Em um mercado pulverizado e de muita informalidade, grandes empresas fazem bem", afirma. "Só espero que eles cheguem com a tecnologia necessária para serem competitivos em qualquer lugar do mundo". Segundo Leardini, há uma diferença no preço do quilo do filé de tilápia no País em comparação com outros mercados. "No Brasil, varia entre R$ 12 e R$ 18. No mercado internacional, é mais barato: está entre US$ 2,50 e US$ 6."

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