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Britânico ganha o Nobel de Economia 2015 por estudo sobre consumo, pobreza e bem-estar

Angus Deaton, que leciona em Princeton, analisou escolhas individuais de consumo para medir e analisar pobreza e bem-estar 

Binyamin Appelbaum, THE NEW YORK TIMES

12 de outubro de 2015 | 08h03

Atualizada às 20h05

O professor Angus Deaton, economista da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, recebeu nesta segunda-feira o prêmio Nobel de Economia por melhorar a medição de indicadores econômicos básicos como riqueza e consumo, particularmente nos países em desenvolvimento.

Deaton, cidadão britânico e americano, é mais conhecido entre os economistas por entender que o aprendizado das circunstâncias econômicas específicas e escolhas dos indivíduos, e não as medições mais típicas de grandes grupos, poderiam produzir uma perspectiva melhor do funcionamento da economia como um todo.

“Para criar políticas econômicas que promovam o bem-estar e reduzam a pobreza, precisamos primeiro entender as escolhas individuais de consumo”, disse Academia Real das Ciências da Suécia em pronunciamento anunciando a escolha, o último dos prêmios Nobel do ano. “Mais que qualquer outra pessoa, Angus Deaton melhorou esse entendimento.”

Tendências. Deaton esteve na vanguarda de uma revolução possibilitada pelos computadores: o uso de dados econômicos detalhados para produzir conclusões mais precisas a respeito de tendências econômicas amplas. Ele trabalhou para melhorar as técnicas de medição e usar essas ferramentas no sentido de fazer perguntas elementares a respeito de como melhorar o bem estar humano.

Em entrevista concedida na segunda-feira, Deaton disse ter se concentrado nos países em desenvolvimento porque “existe uma verdadeira urgência moral de compreender como as pessoas se comportam e o que podemos ou devemos fazer a respeito disso”.

Ele disse que as circunstâncias de sua infância também desempenharam um papel. “Cresci em Edimburgo”, disse “Era um lugar frio, sujo e triste para crescer, e eu sonhava em ir para países coloridos e tropicais.”

Deaton é mais conhecido por refinar as ferramentas usadas pelos economistas, enfatizando a importância de cuidadosa análise estatística das escolhas feitas pelos lares individuais.

“Suponhamos que quiséssemos entender o efeito de um subsídio para o arroz sobre o bem estar dos agricultores”, disse Dani Rodrik, professor de economia política de Harvard. “Ele produziu uma abordagem que pode ser usada com dados dos lares para rastrear o efeito de algo como isso no bem-estar de diferentes agricultores.”

Legado. O professor diz ter esperado que o “cuidado nas medições” fosse seu legado. Ele disse que seu mentor, Richard Stone, professor de Cambridge que recebeu o Nobel de economia em 1984, ensinou a ele a importância da medição. “Sempre quis ser como ele”, disse Deaton. “Creio que reunir números numa estrutura coerente sempre me pareceu ser o realmente importante.”

Uma consequência dessa ênfase nos detalhes é um ceticismo em relação às regras gerais ou universais para a promoção do desenvolvimento econômico. “Há bastante agnosticismo em políticas econômicas emanando disso - a ênfase é mais na heterogeneidade dos resultados“, disse o professor Rodrik a respeito de Deaton. “Trata-se de alguém com a língua afiada e ele sempre teve na mira aqueles que fazem afirmações muito fortes a respeito dessa ou daquela política.”

Janet M. Currie, que foi aluna de Deaton e agora é sua chefe como presidente do Departamento de Ciência Econômica de Princeton, descreveu o mais recente ganhador do Nobel como “tremendamente espirituoso, engraçado e culto, de uma erudição assustadora, e excelente companhia”.

Ela disse que o trabalho do professor Deaton mostrou o perigo das simplificações, como medir a pobreza contando quantas pessoas sobrevivem com menos de US$ 1 por dia.

Clareza. “Essas maneiras simples de olhar o mundo são frequentemente a base de políticas econômicas, e se as afirmações estiverem equivocadas, a política pública pode se equivocar também”,disse a professora Janet. “Ele sempre se preocupou em capturar a complexidade do mundo real.”

Os estudos de Deaton mostraram, por exemplo, que algumas medidas de bem-estar como consumo de calorias ou felicidade tendem a melhorar entre os muito pobres conforme a renda aumenta, mas os ganhos tendem a perder força conforme a renda segue aumentando.

“Ele mostrou que aprendemos muito mais quando analisamos o comportamento subjacente aos indicadores agregados”, disse Duncan Thomas, economista da Universidade Duke que também foi aluno de Deaton.

Thomas disse admirar a clareza de pensamento do professor Deaton. “Sua capacidade de apresentar ideias incrivelmente complicadas de uma maneira que meros mortais seriam capazes de compreender é verdadeiramente extraordinária”, disse Thomas. “Ele traz à mesa evidências que nos fazem pensar, ‘É claro que ele só pode estar correto’, e então batemos a cabeça na mesa, dizendo: ‘por que não pensei nisso antes?’”.

Deaton, de 69 anos, disse estar com “bastante sono” quando recebeu o telefonema na manhã de segunda-feira informando a ele que tinha ganho o prêmio. Ele disse que a mulher atendeu o telefone às 6h10 e passou a chamada a ele, dizendo que era importante, de Estocolmo. “Fiquei surpreso e extasiado”, disse. “Foi ótimo ouvir a voz de meus amigos do comitê.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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