Britânicos vão limitar entrada de imigrantes

A partir de abril de 2011, serão no máximo 23 mil por ano; grupos de direitos humanos e grandes empresas estão contra a medida

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

O partido conservador britânico cumpriu uma de suas promessas de campanha e estabeleceu, pela primeira vez, um teto no número de estrangeiros autorizados a entrar no Reino Unido para trabalhar legalmente. A partir de abril de 2011, serão no máximo 23 mil imigrantes por ano.

A medida, que entrou em vigor ontem, é uma resposta à pressão dos sindicatos diante da crise e do temor do desemprego. Mas é contestada por grupos de direitos humanos que alertam para a discriminação. Esses grupos ganharam um aliado inesperado: empresas de todo o país alegando que a barreira à imigração vai frear a retomada do crescimento econômico e acabará sendo um tiro no pé do governo.

Até abril, a medida temporária já serve como alerta e uma estratégia para evitar que, nos próximos meses, estrangeiros tentem entrar no país.

Durante sua campanha eleitoral, o primeiro-ministro, David Cameron, pôs a questão da imigração como uma de suas prioridades, seguindo uma tendência na Europa de criar novas barreiras contra estrangeiros. Desde ontem, brasileiros, argentinos, outros latino-americanos, africanos e asiáticos que queiram entrar no Reino Unido, terão de competir por uma das 5,4 mil vagas para profissionais como médicos e advogados. Outros 18,7 mil trabalhadores de menor qualificação também receberão o visto. O volume é 1,3 mil inferior ao dos últimos nove meses. Europeus não entram nessa conta já que, pelas regras da UE, podem trabalhar em qualquer um dos países do bloco.

Ontem, um grupo das maiores empresas britânicas já protestou. A Câmara de Comércio Britânica enviou uma queixa ao Parlamento, alegando que a lei impedirá que as empresas tragam os melhores profissionais. "Não podemos ser limitados por tetos arbitrários", disse Adam Marshall, representante do poderoso lobby de indústrias. "Precisamos garantir a competitividade do país", afirmou Marshall, que hoje estará em uma audiência com deputados.

Para o Instituto de Pesquisa de Políticas Públicas, outro impacto pode ser na arrecadação de impostos. Isso porque muitos dos trabalhadores de alta qualificação trazidos por empresas são também responsáveis por pagar altos impostos.

"Reconheço a importância de atrair os melhores para garantir nosso crescimento. Mas um fluxo sem controle põe uma pressão inaceitável sobre nossos serviços públicos", disse o ministro de Imigração, Damian Green.

Durante o governo trabalhista, áreas que sofriam de carência de trabalhadores eram abertas a estrangeiros. Agora, as barreiras serão maiores e já se fala até em limitar familiares e esposas de trabalhadores que receberem os vistos.

Opositores

DAMIAN GREEN MINISTRO DE IMIGRAÇÃO DA INGLATERRA

"Reconheço a importância de atrair os melhores. Mas um fluxo sem controle coloca uma pressão inaceitável sobre nossos serviços públicos."

ADAM MARSHALL

LOBISTA DAS INDÚSTRIAS

"Não podemos ser limitados por tetos arbitrários."

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