British Airways pede para funcionário trabalhar de graça

Apelo faz parte da luta da empresa para ?sobreviver?

Michael Holden, REUTERS, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

A British Airways (BA), que divulgou no mês passado prejuízo anual recorde, informou ontem que pediu para seus empregados trabalharem de graça, como parte da luta da empresa para "sobreviver" às condições difíceis do mercado. Voltado aos funcionários na Inglaterra, o apelo apareceu na revista interna da empresa, e propõe que os trabalhadores se ofereçam como voluntários para um período de uma semana a um mês de trabalho ou descanso sem pagamentos.O presidente da empresa, Willie Walsh, e seu diretor financeiro, Keith Williams, prometeram trabalhar de graça em julho. Walsh disse que a ideia faz parte das medidas gerais de corte de gastos da BA. "Muitos de vocês em toda a empresa aérea estão se oferecendo para ajudar a companhia", disse Walsh. "Espero que cada parte individual da empresa participe de alguma maneira nessa iniciativa de conseguir dinheiro para ajudar no plano de sobrevivência da companhia."A BA, terceira maior empresa aérea da Europa em faturamento, divulgou um prejuízo anual de US$ 362 milhões e suspendeu o pagamento de dividendos em maio, informando que sofreu uma queda na demanda por viagens aéreas e que não prevê recuperação imediata.A empresa informou que mil funcionários se ofereceram para participar do Programa de Resposta Empresarial, lançado na época, que permitia a trabalhadores tirarem um mês de folga sem pagamentos, ou aderirem a contratos de jornada reduzida. Walsh, que ganha US$ 1,2 milhão por ano, foi um dos que aderiram.A nova medida, que foi projetada para ser mais flexível, não será obrigatória, mas a empresa está encorajando seus funcionários a "fazerem sua parte", disse uma porta-voz da BA. Outras empresas lançaram programas similares em resposta à crise mundial da aviação, incluindo a Cathay Pacific, onde a maioria de sua força de trabalho aderiu, segundo a empresa aérea britânica.Na semana passada, a empresa disse que estava negociando redução de salários com pilotos. Walsh também disse que haverá mais cortes de postos, depois de a BA ter reduzido sua força de trabalho em 2,5 mil pessoas desde março de 2008.Os gastos médios por piloto da BA foram de US$ 177 mil em 2008, segundo a Autoridade de Aviação Civil (CAA, na sigla em inglês), agência reguladora de aeroportos da Inglaterra. A rival Virgin Atlantic gastou US$ 147,2 mil por piloto, em média.A BA também negocia redução de salários com comissários de bordo e carregadores de bagagem. Os comissários da BA recebem mais que o dobro dos da Virgin Atlantic.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.