Fendt amplia operação no Brasil e prevê dobrar as vendas no País em 2022
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Fendt amplia operação no Brasil e prevê dobrar as vendas no País em 2022

Com boas safras, momento tem sido de adoção de equipamentos de maior porte

Isadora Duarte, Clarice Couto e Letícia Pakulski, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2022 | 05h00

A decisão de vir para o Brasil, em 2019, se mostrou acertada à Fendt, fabricante de máquinas agrícolas do grupo AGCO. O resultado esperado para 2025 será obtido ainda este ano. Com 80% do volume estimado para 2022 já comercializado, a expectativa é dobrar as vendas no País ante 2021. “O momento tem sido de adoção de equipamentos de maior porte, com as boas safras”, diz José Galli, diretor comercial da Fendt América do Sul, sobre o fato de os produtores estarem capitalizados. A empresa não fala em valores. Em 2022, a marca alemã quer chegar a 20 revendas – hoje são 9, concentradas no Centro-Oeste. Pará, Tocantins, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná devem receber lojas. Para 2023, planeja entrar no Chile e Paraguai.

Investimento para montagem local

A Fendt também se prepara para iniciar a montagem local de tratores no País, prevista para 2023. Para tal, investiu na expansão da sua planta de Mogi das Cruzes (SP). "Em 2024, novo aporte deve ser feito para ampliação da capacidade", diz Galli, sem adiantar o investimento.

Escassez de insumos afeta desempenho

Apesar da demanda aquecida pelo maquinário agrícola, o setor enfrenta o desabastecimento de componentes. A Fendt estima que poderia vender 20% mais no País neste ano caso a oferta de matéria-prima estivesse normalizada. "A demanda está maior que o previsto. Não conseguimos atender este volume adicional pela falta de fornecimento.".

NO CAMPO.

Antes focada no setor automotivo, a Eisenmann do Brasil está avançando no agro também, com a venda de equipamentos para tratamento de superfícies de máquinas, implementos e silos. No ano passado, o setor representou 25% do faturamento da empresa, e a fatia sobe para 40% em 2022, com receita prevista de R$ 200 milhões. “Há demanda crescente por melhoria de qualidade e aumento da durabilidade dos equipamentos no agronegócio”, diz Alexandre Coelho, diretor-geral da Eisenmann.

EM EXPANSÃO.

Com fábrica em Cruzeiro (SP), a empresa deve aplicar R$ 15 milhões nos próximos cinco anos para ampliar em até 80% a sua produção – já em 2022 investirá R$ 2 milhões para atualização de máquinas. Integrante do grupo Pentanova, que também comprou a Eisenmann do México, a empresa prevê trabalhar em conjunto com a unidade mexicana para exportar para grandes fabricantes de máquinas agrícolas nos EUA.

APETITE.

A Valora Investimentos teve demanda bem superior aos R$ 200 milhões inicialmente buscados na segunda oferta pública do seu Fiagro (fundo focado em ativos do agro), o VGIA11. Captou R$ 240 milhões. Na oferta inicial de cotas, em novembro, a meta era levantar R$ 250 milhões, mas só R$ 100 milhões foram captados. “Na época, os Fiagros tinham acabado de ser lançados. No follow on (segunda oferta), já havia uma história positiva para contar”, diz Guilherme Grahl, associado da gestora.

SÓ O COMEÇO.

O VGIA11 busca retorno a investidores de taxa CDI (em linha com a Selic, no momento de 12,75% ao ano) mais 3,5% a 4,5%, conta Grahl. Dos R$ 335 milhões sob gestão do fundo, a maior parte vai para Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Hoje o VGIA11 aplica em CRAs de oito empresas, sendo seis cooperativas. Demanda do agro também não falta: mais de dez empresas negociam com a Valora a estruturação de CRAs. Em 2022, o objetivo é chegar a R$ 1 bilhão em CRAs, o dobro do ano passado.

SEM LIMITES.

A carteira de crédito do Itaú BBA vinculada a empresas e revendas de insumos vem crescendo, conta Pedro Fernandes, diretor de Agronegócios do banco. Era de R$ 4 bilhões no começo do ano e deve passar “facilmente” de R$ 10 bilhões no fim de 2022, afirma. Com isso, o peso do segmento na carteira agro do banco deve avançar de 7% para 13% do total. Fernandes já prevê uma carteira rural de R$ 78 bilhões em dezembro, 30% maior que a de 2021. A perspectiva inicial era R$ 72 bilhões.

Avanço da agricultura na China é bom para o Brasil

Em visita ao Brasil na última semana, Erik Fyrwald, CEO do grupo Syngenta, enfatizou em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro que o País ampliará suas exportações de soja e milho à China, mesmo com o desenvolvimento da agricultura do país. “A China será sempre importadora de produtos agrícolas, não tem área suficiente para alimentar a si mesma.”

Em contagem regressiva para o Plano Safra

A próxima safra começa em 1.º de julho e o governo ainda não disse quando anunciará o Plano Safra, que define crédito e juros ofertados ao setor. Reunião extra do Conselho Monetário Nacional sobre as regras pode ocorrer antes do dia 23, diz Rogério Boueri, chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia.

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