EVELSON DE FREITAS/ESTADÂO
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Brookfield e GP fizeram proposta pela Invepar

Gestora canadense e fundo brasileiro estão interessados na fatia de 25% que a OAS detém na concessionária, avaliada em R$ 2,7 bi

MARIANA DURÃO E MARIANA SALLOWICZ , O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2015 | 02h03

A OAS, empresa citada nas investigações da Operação Lava Jato e atualmente em recuperação judicial, recebeu pelo menos duas propostas pela sua fatia de quase 25% na Invepar, empresa que explora concessões na área de infraestrutura. O fundo GP Investiments e a Brookfield, gestora canadense especializada em infraestrutura, apresentaram suas ofertas à companhia.Ontem, Eduardo Alcalay, responsável pela área de private equity da GP, confirmou a participação do fundo no processo de venda da empresa, dona de concessões como o aeroporto de Guarulhos e o metrô do Rio. "O interesse nós temos, mas depende dos desdobramentos do processo (de recuperação judicial da OAS), que ajuda porque dá mais segurança para os envolvidos, mas é mais lento, temos que esperar", disse. O executivo, que participava de evento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), não quis responder, no entanto, se a oferta foi feita em conjunto com outros interessados e nem quis detalhar os termos da proposta.

Já a oferta da Brookfield foi assunto tratado em reunião realizada ontem entre a OAS e a Petros, fundo de pensão dos funcionários Petrobrás, que é sócia da OAS na Invepar, com fatia de também 25%. A informação foi dada pelo diretor de investimento do fundo, Licio da Costa Raimundo. Segundo ele, a proposta da gestora canadense é a que está "mais avançada". "Estamos alinhados com a OAS para que o ativo siga valorizado. Tudo caminha para termos uma solução em breve", disse o diretor da Petros. A venda vai depender de leilão a ser realizado dentro do processo de recuperação judicial. Procurada, a Brookfield preferiu não comentar o assunto.

De acordo com o diretor da Petros, a questão neste momento é passar ao novo sócio a capacidade de valorização do ativo. "Se olhar a evolução do ativo na nossa carteira, compramos em 2009 por cerca de R$ 390 milhões, e hoje está em R$ 2,7 bilhões", afirmou. "A empresa de 2009 para cá cresceu barbaramente e a nossa expectativa é de que continue crescendo. O que queremos é que o novo sócio perceba isso, que a empresa cresceu muito, mas ainda tem muito mais para crescer".

Sem crédito na praça e em difícil situação financeira, a OAS tentou vender sua fatia de 25% na Invepar para tentar se equilibrar financeiramente. Com uma dívida de R$ 8 bilhões, e credores acionando a empresa na Justiça, os investidores interessados em comprar a Invepar preferiram que a venda se desse por meio da recuperação judicial, pois desta forma não herdam nenhum passivo.

Sócios. Além de OAS e Petros, também são sócios da Invepar os fundos de pensão do Banco do Brasil, Previ, e o da Caixa, Funcef. Os sócios têm direito a cobrir a oferta que eventualmente for apresentada.

O diretor de investimentos do fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef), Maurício Marcellini, disse que o fundo não exercerá seu direito de preferência sobre a participação da OAS porque já bateu o limite porcentual de participação por companhia. "Nossa parte (na Invepar) não está à venda", foi taxativo.

O diretor da Funcef disse ainda que a entidade ainda discute internamente se fará o novo aporte de R$ 200 milhões na OAS Empreendimentos, uma das empresas que entraram na recuperação judicial do grupo OAS.

"A empresa tem um plano de negócios a que está vinculado esse novo aporte e estamos analisando a viabilidade desse plano", disse Marcellini.

O aporte deveria ter sido feito até março, mas foi suspenso diante da situação financeira da empresa, envolvida no escândalo descoberto pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A Funcef já tem uma exposição de R$ 200 milhões na empresa por meio de um fundo de participações que controla a OAS Empreendimentos.

O primeiro investimento foi feito no início do ano passado e a fundação se comprometeu contratualmente a aplicar outros R$ 200 milhões, em janeiro deste ano, prazo que foi estendido até 18 de março.

Em relação a investimentos de infraestrutura, o diretor da Funcef admite que o modelo das empreiteiras nacionais foi posto em xeque, o que abre oportunidades. No caso da Funcef, entretanto, há restrições de capital para investimentos diretos no setor. A fundação já atingiu o limite, com 11% do patrimônio líquido alocados em investimentos estruturados (FIPs e fundos imobiliários). "Estamos no limite. Para fazer novos investimentos, dependo de desinvestimentos".

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