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Brookfield mais perto da Odebrecht Ambiental

Gestora canadense espera delação do grupo para fechar compra de área de água e esgoto

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2016 | 06h00

A gestora canadense Brookfield deve finalizar ainda este ano mais uma importante aquisição no País. O fundo aguarda o acordo de delação dos executivos do grupo baiano Odebrecht para comprar os 70% da Odebrecht Ambiental, negócio avaliado em cerca de R$ 5,5 bilhões. A Brookfield ficaria com esses 70% da companhia, apurou o ‘Estado’. Os 30% restantes devem continuar com o FI-FGTS.

Fontes próximas às negociações afirmaram que, além do acordo de delação dos principais executivos da companhia investigados na Operação Lava Jato, há ainda detalhes contratuais que precisam ser acertados. “A expectativa é fechar o negócio antes do fim do ano”, disse uma das pessoas ouvidas pelo Estado.

As conversas entre a gestora e o grupo baiano para a compra do controle da Odebrecht Ambiental começaram no início deste ano. No total, a Odebrecht Ambiental tem 26 ativos espalhados por Brasil, México e Angola. Em 2014, último dado disponível, a empresa faturou quase R$ 2 bilhões. A gestora canadense está interessada nos negócios de água e esgoto da companhia. A divisão de resíduos industriais ficaria de fora, disse uma fonte. Procurada, a Odebrecht Ambiental disse que não iria comentar. A Brookfield não também comentou.

Segundo uma outra fonte, o negócio está quase fechado, mas pode sofrer algum revés caso a delação premiada do grupo aponte alguma participação direta da divisão ambiental no esquema de propinas. Por isso, a Brookfield está tendo a cautela de esperar o fechamento do acordo. “Com as investigações de corrupção em curso, a avaliação de empresas envolvidas está mais criteriosa.”

No início do ano, o fundo canadense voltou atrás na compra dos cerca de 25% de participação da empreiteira OAS na Invepar, consórcio que administra o aeroporto de Guarulhos. Mas o recuo foi por outras questões: a gestora não chegou a um acordo com os outros acionistas – os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa) e Petros (Petrobrás).

Oportunidades. Alheia à turbulência econômica, que foi agravada pela crise política no País nos últimos meses, a canadense Brookfield está olhando diversas oportunidades. Com US$ 225 bilhões de ativos sob gestão, mais da metade nos Estados Unidos, a gestora tem planos de se expandir no Brasil, sobretudo em infraestrutura e no mercado imobiliário.

No mês passado, a Brookfield Asset Management liderou um consórcio com fundos soberanos de Cingapura (GIC), da China (CIC) e de pensão do Canadá (British Columbia) para levar 90% da unidade de gasodutos da Petrobrás, a Nova Transportadora do Sudeste (NTS). A transação foi de US$ 5,2 bilhões – foi a maior venda da Petrobrás desde que a petroleira decidiu se desfazer de ativos para reduzir seu endividamento e gerar caixa.

E este não é o único ativo da Petrobrás que a Brookfield está de olho. A gestora vai voltar a analisar a BR Distribuidora, rede de postos de combustíveis da estatal, líder de mercado, também colocado à venda, apurou o Estado. A companhia já tinha interesse pelo negócio desde quando a estatal ainda pretendia se desfazer apenas de uma fatia minoritária. Agora, com o desenho de controle compartilhado, a BR tem atraído diversos interessados.

Exterior. No ambiente de recessão e investigações sobre corrupção, a Brookfield rastreia negócios que normalmente não seriam colocados à venda, incluindo ativos de empresas nacionais no exterior. Em junho, a Brookfield comprou 57% da companhia de concessões rodoviárias da Odebrecht no Peru, a Rutas de Lima, que também foi colocada à venda pelo grupo baiano.

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