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Brown e Lula pedirão US$ 100 bi ao G-20 para comércio

O primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, colocou-se contra o protecionismo e chamou a atenção para a redução dos fluxos comerciais que apresentaram queda "pela primeira vez em 30 anos, principalmente em países como China, Alemanha e Japão".

LEONENCIO NOSSA E TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

26 de março de 2009 | 14h11

Brown informou que ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram sobre a proposta de defender junto ao G-20 (Grupo dos 20, de grandes economias industrializadas e emergentes, que se reúne em Londres em 2 de abril) aporte de US$ 100 bilhões para financiar a expansão do fluxo de comércio. Ele defendeu a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, para que tenham maior transparência e previsibilidade.

Em entrevista coletiva à imprensa, em Brasília, Brown afirmou que o momento é para se fazer uma reforma bancária e acordos para fomentar o comércio. Ele lembrou que o crédito tem secado nos últimos meses e fez um apelo à expansão do comércio global dizendo que é preciso que os países consigam revitalizar o fluxo de comércio.

Também defendeu a retomada da Rodada Doha de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Precisamos dar nomes aos bois para os países que romperam os acordos", disse ele, ao defender a rodada.

Lula também voltou a defender a retomada da Rodada Doha e a criticar o protecionismo. "Aprendemos a gostar do livre comércio, uma conquista de que não podemos abrir mão por causa da crise", disse. Lula comparou o protecionismo às drogas que são usadas quando se está em crise. "O efeito é rápido, mas depois vem a depressão. E se a gente não agir rapidamente, além da depressão vem a recessão e não temos previsibilidade do que virá depois no mundo".

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que não sabe ainda qual será a participação do Brasil no fundo de US$ 100 bilhões para aumentar o fluxo comercial no mundo. "O Brasil não se comprometeu com uma quantia específica. Nós vamos trabalhar em cima disso", declarou Amorim, acrescentando que dependendo da forma como isso for assumido é importante que não afete as reservas brasileiras. De acordo com Amorim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, concorda com a participação do Brasil, mas não especificou valores, e reiterou que ela não pode afetar as reservas.

Paraísos fiscais

Lula criticou os paraísos fiscais e defendeu mudanças nesses sistemas. Segundo Lula, este terá que ser um assunto a ser discutido na reunião do G-20. "Não pensem que será uma luta fácil. Quem tem dinheiro nos paraísos não são os pobres. São outros", disse ele. E acrescentou: "Vamos ter um duro enfrentamento no G-20 para mexer nos paraísos fiscais". Segundo Lula, se fossem apenas as Ilhas Cayman, não haveria problemas. "Mas tem países como a Suíça que nunca foram chamados de paraísos fiscais mas que têm muita semelhança com isso. Diante disso, os governantes terão um gostoso desafio para provar que somos capazes de fazer valer a confiança que nossos povos depositam em nós."

Na sua fala, o presidente voltou a defender o Estado, que, segundo Lula, foi chamado para resolver os problemas dos países. Disse que a reunião G-20 será histórica e que "não pode ser uma reunião para marcar mais uma reunião". "Se não, poderemos cair no descrédito. Se a reunião de Londres não der um bom sinal de que vamos trabalhar na regulação financeira e devolver o crédito, passaremos a fraqueza dos líderes políticos que não pode existir". Lula insistiu que o momento é da política, de decisões políticas, e que os técnicos têm que ajudar na tomada das decisões.

Moeda global

Lula definiu como "válida" e "pertinente" a proposta da China de se criar uma moeda global. Para o presidente, os países não devem ficar subordinados apenas ao dólar. "Os Estados Unidos certamente vão se colocar contra, mas acho que a discussão é válida e pertinente, pois o mundo não deve ficar subordinado a uma única moeda." Lula ponderou que a proposta chinesa precisa ser estudada com maior profundidade. Disse que pretende ouvir esclarecimentos do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no encontro do G-20.

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