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Brown propõe fundo de US$ 100 bi

Em visita ao Brasil, primeiro-ministro britânico pede apoio de Lula à proposta para tirar países da crise

Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2009 | 00h00

Ao defender a substituição do Consenso de Washington por um novo marco econômico global, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, informou ontem que vai propor na reunião de cúpula do G-20, no próximo dia 2 em Londres, a injeção emergencial de US$ 100 bilhões no financiamento ao comércio mundial. A caminho do Chile, onde participa da Cúpula da Governança Progressista, Brown se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, e colheu o apoio do Brasil à criação do fundo para reavivar o intercâmbio de bens e serviços. Mas o primeiro-ministro deixou o País sem obter o compromisso de aporte de recursos do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que seu colega da Fazenda, Guido Mantega, é simpático à participação do Brasil no fundo - desde que os recursos não sejam extraídos das reservas internacionais. Segundo Brown, US$ 100 bilhões são o "mínimo necessário" para a retomada do comércio, que despencou nos últimos meses e que deverá recuar mais 9% neste ano, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Para ele, a "transfusão (desse valor) para a corrente sanguínea do comércio" é "fundamental" para revitalizar as trocas internacionais e reanimar as economias. Brown também defendeu uma nova ordem financeira. "O velho Consenso de Washington morreu. Precisamos de um novo consenso, que permita recuperar a confiança das pessoas que trabalham com os bancos", afirmou, referindo-se ao receituário macroeconômico formulado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Tesouro americano, em 1989, e aplicado como contrapartida a empréstimos concedidos, sobretudo, para a América Latina na década de 90. Brown detalhou a agenda britânica para o G-20, que se mostrou bastante afinada com as propostas elencadas por Lula. No encontro de Londres, ele espera extrair dos líderes do G-20 o consenso sobre a criação de um marco regulatório "mais estrito e rigoroso" para o sistema financeiro mundial. É um tema que os Estados Unidos preferem afastar da agenda. Lula ilustrou o tema ao mencionar que, nas sociedades democráticas, qualquer pessoa é vigiada ao entrar em um shopping ou em um hotel e ao passear com os amigos. "Não é possível que só o mercado financeiro não seja vigiado e não haja uma fiscalização. Somente assim poderemos reeducar o sistema financeiro internacional, para estar ligado umbilicalmente ao setor produtivo."O segundo ponto de convergência nas agendas brasileira e britânica é o pleito de Brown pela reforma "radical" do FMI e do Banco Mundial, para tornar essas instituições "mais transparentes e abertas". Na passagem do primeiro-ministro britânico por São Paulo, ele disse que as novas administrações desses bancos não precisa ser britânica ou americana. "Precisamos ter certeza de que os países emergentes têm representação e voz nessas instituições, o que foi negado por muito tempo." Segundo Brown, as nações em desenvolvimento são responsáveis por 70% do crescimento mundial e têm o direito de ter um poder mais compatível com o atual nível de importância para o PIB global.No âmbito do comércio, em tom uníssono ao de Lula, Brown defendeu a retomada das negociações da Rodada Doha. E propôs que os países que optaram por uma saída protecionista para a crise sejam apontados nominalmente na OMC. "É preciso dar nomes aos bois", sem citar os EUA que podem liderar a lista. COLABORARAM LEONÊNCIO NOSSA E RICARDO LEOPOLDO

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