BRT: saída do leilão prejudicou papéis

Os acontecimentos recentes envolvendo a Brasil Telecom Participações (BRT) criaram uma contradição para os analistas de mercado. Apesar dos fundamentos indicarem que a companhia representa um bom investimento, algumas instituições já rebaixaram a classificação para os papéis, como a influente JP Morgan. Outras mantêm a indicação, mas com uma enorme lista de ressalvas.Em uma semana, a companhia desistiu do leilão das novas bandas da telefonia celular, acirrou a briga entre os sócios Opportunity e Telecom Italia com a contratação de uma executiva italiana e anunciou que pode rever o plano de antecipação de metas. Os investidores já deram claros sinais de que esses últimos dias trouxeram desagradáveis surpresas. Somente nesta última semana, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da holding acumularam queda 12,04%, até quinta-feira.A analista do BES Securities, Carolina Gava, rebaixou sua recomendação para as ações da empresa de compra para neutra. O preço-alvo estipulado pela especialista aponta um potencial de valorização de 53,42% - sem data prevista para que essa data seja atingida. Ela justificou a decisão afirmando que a ausência no leilão da banda D e a briga entre os sócios podem prejudicar a companhia no médio ou longo prazo.Na avaliação de Jair Santiago, analista do banco Brascan, o que está impactando o papel é o fato de o investidor ser muito focado em aplicações de curto prazo. Com isso, qualquer notícia ruim acaba prejudicando. Santiago decidiu manter a recomendação de compra para as ações da Brasil Telecom. Ele não utilizou em seus modelos de projeção ganhos com novas licenças e, por isso, o resultado do leilão não afeta suas estimativas. O analista Bruno Queiroz, do Santander Investment, também não alterou sua recomendação de compra para as ações da companhia, mas ressaltou que o papel deve sofrer no curto prazo. Ele comentou que, por enquanto, a estrutura operacional da empresa não reflete a disputa entre os sócios.No BBV, a análise também segue esta linha. Carlos Firetti, chefe de pesquisa, comentou que as duas recomendações para o setor de telecomunicações são Telemar e Brasil Telecom. Os últimos acontecimentos, no entanto, levaram a instituição a concentrar a atenção em Telemar.

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