Nelson Jobim se torna sócio e membro do conselho de administração do BTG

Nelson Jobim se torna sócio e membro do conselho de administração do BTG

O 'Estado' apurou que o BTG deverá anunciar, na próxima semana, mais um membro independente ao conselho

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2016 | 16h20
Atualizado 26 Julho 2016 | 21h12

O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim tornou-se sócio e membro do conselho de administração do BTG Pactual. O banco de investimento anunciou nesta terça-feira, 26, que Jobim será responsável pelas relações institucionais e políticas de compliance da instituição, comandada até novembro passado pelo banqueiro André Esteves. O Estado apurou que o BTG deverá anunciar, na próxima semana, mais um membro independente ao conselho.

Esteves foi preso no dia 25 de novembro do ano passado, acusado de obstruir as investigações da Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás.

O banqueiro, que foi solto em dezembro, teve seu nome envolvido em conversa gravada entre o então senador petista Delcídio Amaral com o filho de Nelson Cerveró, ex-diretor da estatal. Em abril passado, Esteves, que cumpria prisão domiciliar, obteve autorização do STF para voltar ao banco.

Com um bom trânsito em Brasília, Jobim foi convidado para integrar o conselho de administração do BTG Pactual e dar peso à área jurídica do banco, que vai ampliar seus quadros e tem buscado nomes fora do mercado financeiro, apurou o Estado. Antes de ser preso, Esteves acumulava informalmente o papel de relações institucionais do banco que passará para a responsabilidade de Jobim.

O jurista tem um bom relacionamento com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi ministro da Defesa entre 2007 e 2011. Além de ter participado do governo PT, foi ministro da Justiça no primeiro mandato da gestão de Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 1997. Foi FHC que indicou o jurista a uma vaga no STF e também é próximo do senador tucano José Serra, atual ministro de Relações Exteriores. Além disso, Jobim circula com desenvoltura no STF, que integrou entre 1997 e 2006, e demais tribunais superiores. Isso o credenciou ao papel de articulador entre os universos político e jurídico, antes desempenhado pelo também ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, falecido em 2014.

Jobim também circula bem no campo empresarial. Desde o início da Lava Jato, ele foi contratado pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e Camargo Corrêa para elaborar pareceres independentes, não necessariamente vinculados à operação.

Em comunicado, o presidente do conselho de administração do BTG Pactual Persio Arida afirmou que a chegada de Nelson Jobim “é mais um importante passo em direção ao aprimoramento da gestão do BTG Pactual. Sua notável trajetória, experiência e conhecimento contribuirão para aperfeiçoar ainda mais a governança do banco”.

Hoje também fazem parte do conselho, além de Arida, os executivos John Huw Jenkins (ex-UBS e sócio do BTG desde 2008), na vice-presidência; os sócios Marcelo Kalim e Roberto Sallouti, ambos também copresidentes. Já Claudio Galeazzi, conhecido por ser um dos principais reestruturadores de empresas em dificuldades financeiras, e Mark Maletz, de Harvard, são membros independentes do conselho.

Encolhimento. Com a prisão de Esteves, o banco de investimento passou por uma ampla reestruturação e passou por um verdadeiro desmanche, com a venda de cerca de R$ 20 bilhões em ativos, segundo estimativas do mercado.

No auge da crise, na semana de prisão de Esteves, recorreu ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que concedeu linha de credito de R$ 6 bilhões ao banco, e teve de vender às pressas empresas que faziam parte do portfólio do braço de investimentos em participações de empresas do banco, entre eles a Rede D’Or, para fazer caixa. Vendeu, no início deste ano, o suíço BSI, uma aquisição considerada emblemática por ter sido considerada o mais importante passo de internacionalização do banco, um ano antes de a crise se instalar no bunker da Faria Lima.

O banco enxugou drasticamente e continuará nesse movimento, disseram fontes ao Estado. Mesmo de volta ao banco, os principais sócios de Esteves, que deram seu patrimônio em garantia à época da crise mais aguda, agora buscam uma blindagem maior ao que podem ser considerado riscos ao banco.

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