Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

BTG aposta em plataforma digital de olho em juro zero e no aumento de investidores na Bolsa

Banco vai fazer oferta de ações de R$ 2,5 bilhões na Bolsa para reforçar segmento de varejo digital

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 16h17

O fenômeno do juro real zero no Brasil e o crescimento do mercado de capitais no País foram a equação perfeita para o BTG Pactual decidir colocar o pé no acelerador em sua plataforma digital, lançada há quase quatro anos, mas que agora deverá ganhar um espaço de relevância para o negócio do banco.

O BTG vai levantar R$ 2,5 bilhões por meio de uma oferta de ações em Bolsa, dinheiro com destino carimbado para o varejo digital, unidade comandada desde o ano passado por Amos Genish.

A oferta confirma que o banco enxerga oportunidades de crescimento de sua plataforma, em um momento em que o número de pessoas físicas na Bolsa brasileira não para de bater recorde mês após mês - em maio eram 2,5 milhões de CPFs na B3.

Com o juro real zero por aqui, a projeção é de que um volume grande de dinheiro precisará buscar rentabilidade, com os títulos do Tesouro trazendo rendimento cada vez mais minguado às carteiras dos investidores.

A oferta, segundo fontes, foi pensada exatamente para aproveitar o momento de mercado, que também conta com elevada liquidez global. "O banco ficará muito capitalizado e com possibilidade de crescer mais", disse uma fonte.

Em fato relevante, o BTG destacou que "pretende utilizar os recursos líquidos provenientes da Oferta para acelerar iniciativas estratégicas e o crescimento da sua plataforma de varejo digital com a manutenção de fortes métricas de capital".

Justificando ser uma postura estratégica, o BTG ainda não abriu ao mercado os números de sua plataforma digital ou número de clientes, mas o crescimento vem sendo robusto.

De acordo com uma fonte, o BTG Pactual Digital teria mais de 300 agentes autônomos em cerca de 70 assessorias de investimentos. A XP, líder no mercado, tem 2 milhões de clientes e quase 6 mil agentes autônomos em 620 assessorias de investimentos, conforme dados que constaram em seus documentos na época em que abriu capital.

A atividade dos agentes autônomos é um dos temas hoje na mesa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que caminha para acabar com a exclusividade desses profissionais.

"A performance (do BTG digital) começa a fazer diferença, captando e aumentando sua escala, com maior escopo de atuação e a massa crítica de recursos crescendo de forma bastante satisfatória", disse, em uma entrevista no fim do ano passado o sócio responsável pela área financeira do BTG, João Dantas.

Para dimensionar o tamanho que pode atingir esse negócio do BTG, investidores têm olhado a performance da XP, cujo crescimento tem sido estrondoso e ganhou mais tração com o ambiente de juros baixos. Listada na Bolsa norte-americana Nasdaq desde dezembro de 2019, a XP, ajudada também pela taxa de câmbio, já superou um valor de mercado de R$ 130 bilhões - mais do que o dobro do que o do BTG aqui na B3, apesar de o resultado ser bem menor do que o do BTG.

A receita total do BTG no primeiro trimestre foi de R$ 1,518 bilhão, com o carro-chefe, a linha de Trading & Sales, somando R$ 455 milhões, área em que faz operação com derivativos, hedge e taxas de juros, por exemplo, segmento que sempre foi forte no banco.

Para a virada do ano, o BTG tem em seu cronograma o lançamento de seu banco transacional, que disponibilizará aos clientes da plataforma cartão de crédito e a possibilidade de pagamento de contas, estratégia que deve ajudar na atração de novos clientes, vindos dos grandes bancos de varejo. A XP planeja o mesmo tipo de lançamento também para este ano.

O BTG é coordenador líder da oferta, que será bastante rápida e com sua precificação marcada para o próximo dia 29. Também trabalham na operação o Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander.

Essa é a segunda oferta do BTG em um ano. Em 2019 o banco fez uma emissão também de R$ 2,5 bilhões, que ajudou a recompor liquidez aos papéis do banco na Bolsa, trazendo novos investidores.

Em 200, as ações unit do BTG acumulam queda de 5%, chegando perto de recuperar o valor pré-pandemia. Apenas em junho o papel já sobe 46%.

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