BTG compra chileno Celfin e já estuda novas aquisições na AL

Banco de André Esteves pagou US$ 245 milhões, mais 2,4% das ações do BTG, para ficar com o banco chileno

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2012 | 03h07

O BTG Pactual confirmou ontem a compra do banco de investimentos chileno Celfin Capital, e anunciou que planeja se expandir para outros países latino-americanos. Com a aquisição, o BTG ampliou a atuação para Chile, Peru e Colômbia. O banco se tornou um dos líderes no mercado latino-americano em administração de recursos, com R$ 178 bilhões em ativos sob gestão - destes, R$ 49 bilhões referem-se a grandes fortunas.

"Temos conversado com muita gente por aí. Uma presença sem estardalhaço na Argentina é uma possibilidade concreta", disse o presidente do BTG Pactual, André Esteves. O país é atraente para o banco por ser o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina e o terceiro no mundo - atrás apenas de China e Estados Unidos.

A maior operação de fusão e aquisição de uma empresa brasileira no ano passado envolveu também uma empresa argentina e foi estruturada pelo BTG Pactual. A compra de uma fatia da Usiminas pela argentina Ternium movimentou US$ 2,7 bilhões e liderou o ranking de negócios de 2011 da consultoria PricewaterhouseCoopers.

O avanço do BTG Pactual na América Latina acompanha o processo de internacionalização das empresas brasileiras. Metade das aquisições feitas pelas companhias nacionais no exterior em 2011 foi na região, segundo dados das consultorias Marsh e Mercer. O BTG quer estar nos países vizinhos para estruturar essas operações.

A expansão, segundo Esteves, dependerá da "oportunidade" e poderá ser feita tanto por meio de aquisições quanto de forma orgânica. O interesse do BTG é ampliar sua estrutura de banco de investimentos. Esteves disse não ter a intenção de operar no varejo no exterior, como fazem o Itaú e o Banco do Brasil, por exemplo. No Brasil, o braço de varejo do BTG é o Panamericano, operação que comprou do Grupo Silvio Santos.

Estrangeiros. A formação de um banco latino de investimentos visa, além de negócios entre os países, à estruturação de operações envolvendo investidores de outras regiões, principalmente da Ásia. Um exemplo disso foi a aquisição da cervejaria Schincariol pela empresa japonesa Kirin, que foi assessorada pelo BTG. "O fluxo de capitais que vêm da Ásia para o Brasil também segue para outros países da região", afirmou o sócio do BTG Pactual, Persio Arida.

Segundo ele, há demanda por investimentos de todos os tipos. "Temos desde investidores qualificados interessados em investimentos em infraestrutura a fundos vendidos no varejo do Japão atrelados à renda fixa brasileira", disse.

No exterior, o BTG pretende replicar seu modelo de atuação no Brasil. Esteves define o BTG como um "banco de investimento que investe", ou seja, coloca recursos próprios em parte dos negócios que estrutura. Só no Brasil, o banco esteve à frente de 54 operações de fusão e aquisição em 2011 - juntas, elas somaram US$ 24 bilhões, segundo dados da Thomson Reuters.

Sócio chileno. A compra do Celfin foi apresentada ao mercado como uma fusão, mas os próprios acionistas do BTG se referiram ao negócio como uma aquisição. O Celfin administra recursos da ordem de R$ 17 bilhões, bem menos do que os R$ 160 bilhões sob gestão do BTG. "No comunicado, falamos em fusão. Mas é claro que a predominância no negócio é do BTG Pactual. Mas a gente quer que eles sejam nossos sócios", disse Esteves.

Como pagamento, cerca de 15 acionistas chilenos receberam US$ 245 milhões e uma participação acionária de 2,4% do BTG Pactual. O banco não tem capital aberto, portanto, não é possível afirmar com precisão seu valor de mercado. Em dezembro de 2010, o BTG foi avaliado em US$ 10 bilhões, de acordo com reportagem do Financial Times.

A operação ainda depende da aprovação do Banco Central.

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