BTG, de André Esteves, negocia venda da Portugal Telecom por 6,5 bilhões

Altice, empresa francesa de TV a cabo é uma das interessadas no negócio, que não deve interferir na fusão da tele portuguesa com a operadora Oi; presidente da companhia brasileira, Zeinal Bava, deve deixar o comando nas próximas semanas

MÔNICA SCARAMUZZO, MARIANA SALLOWICZ, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2014 | 02h04

O BTG está negociando a venda dos ativos da Portugal Telecom (PT), que está em processo de fusão com a operadora brasileira Oi. A empresa francesa Altice é uma das interessadas, mas outras companhias estão de olho nesse mesmo negócio, avaliado em cerca de 6,5 bilhões, apurou o 'Estado' com fontes familiarizadas com o assunto.

A venda da operadora portuguesa e de outros ativos, como a participação de 25% da PT na operadora angolana Unitel, torres e cabos submarinos, é apenas mais um capítulo que envolve a quarta maior operadora de telefonia do País.

O presidente da Oi, Zeinal Bava, deixará a operadora nas próximas semanas. O executivo Bayard Gontijo, atual diretor financeiro da encrencada operadora brasileira, assumirá interinamente o posto, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Os principais acionistas agora estão escolhendo o sucessor de Bava. O nome do empresário Amos Genish, ex-GVT, chegou a ser cogitado em conversas informais, mas, segundo fontes, outros nomes estão na mesa.

A informação sobre a saída de Zeinal já circula entre executivos com cargos relevantes na companhia, que se preparam para a mudança. A imagem do moçambicano Bava ficou arranhada com os principais acionistas brasileiros depois de o calote tomado pela PT de 897 milhões, em julho, da Rioforte, holding não financeira do Grupo Espírito Santo (GES).

Até há pouco tempo, os acionistas da Oi blindavam a imagem de Bava e o isentavam de saber sobre a aplicação. Agora, a situação é outra. "Houve um desgaste", disse uma fonte.

As notícias sobre a venda dos ativos da PT em Portugal, que foram divulgadas pela Bloomberg, fizeram com que as ações da operadora portuguesa fechassem ontem com forte alta de 4,76%, cotada a 1,63. O mesmo não aconteceu com os papéis preferenciais da Oi, que encerraram o dia em queda de 2,45%, a R$ 1,59.

Fusão. Um ano após o anúncio da fusão entre Oi e Portugal Telecom, o futuro da operadora ainda é uma incógnita para o mercado. A empresa tem um endividamento de R$ 46,2 bilhões. A venda desses ativos, incluindo a operadora PT, é considerada vital para redução de dívida da companhia e geração de caixa.

A união das duas operadoras, que foi bem recebida pelo mercado em outubro de 2013, agora é vista com ceticismo, segundo fontes ouvidas pelo Estado. As incertezas sobre a fusão vieram à tona após o escândalo da Rioforte. Os termos da fusão tiveram de ser revistos. A participação da PT na companhia recuou de 37,4% para 25,3%.

Depois dessa revisão, os dois sócios anunciaram que a "Nova Oi" caminha para ir ao Novo Mercado da Bovespa, até o fim do primeiro trimestre de 2015.

No fim de agosto, a Oi também anunciou que contratou o BTG, sócio da operadora após o processo de capitalização da companhia em abril, para buscar alternativas de consolidação. A proposta era de que a Oi, junto com América Móvil, dona da Claro, e Telefônica, controladora da Vivo, fatiasse a TIM Brasil, controlada pela Telecom Itália.

Para o mercado, a Oi passou a mensagem de que seria consolidadora no País. No entanto, a Telecom Itália, dona da TIM Brasil, que perdeu o páreo para a Telefônica na compra da operadora brasileira GVT, resolveu também entrar no jogo. Na semana passada, a TIM Brasil contratou o Bradesco BBI para fazer uma oferta para se fundir com a Oi.

"O ideal seria uma fusão entre Oi e TIM, assim poderíamos, com essa operação, sair da empresa mais para frente", disse um dos acionistas da operadora brasileira. Hoje, o BTG e o BNDES são os maiores acionistas individuais da companhia.

Uma fonte do mercado financeiro afirmou ao Estado que uma fusão entre TIM e Oi jogaria praticamente no "colo das operadoras Claro e Telefônica" ativos que TIM e Oi teriam de se desfazer, sob o argumento de concentração de mercado, em uma eventual fusão.

Uma fonte próxima a Oi afirmou ao Estado que o objetivo da operadora, desde o início, é ir ao Novo Mercado da Bovespa e que a fusão com a PT não está em risco. A meta da companhia é reduzir o endividamento. Sobre a proposta de venda de ativos da PT para a francesa Altice, a fonte afirmou que não há nada concreto. A mesma fonte não comentou os rumores sobre a saída de Bava.

"Se vender os ativos, a Oi poderá reduzir sua dívida e melhorar seu perfil para fortalecer sua operação no Brasil", disse Juarez Quadros, ex-ministro das Comunicações do Brasil e hoje sócio da consultoria Orion, à agência Reuters.

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