BTG, de Esteves, compra redes Via Brasil e Aster

Com 129 postos, nova empresa será a maior rede de combustíveis do País não vinculada a uma grande distribuidora

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

André Esteves, ex-UBS Pactual, não perde tempo. Mal colocou em pé a operação do Banking and Trading Group (BTG), empresa de investimentos e estruturação de negócios que começou a funcionar em setembro, anuncia sua segunda grande tacada. Primeiro foi a compra dos ativos do Lehman Brothers no Brasil. Agora, a BTG arrematou de uma só vez duas redes de postos de combustíveis: a Via Brasil, pertencente ao grupo Vibrapar, e a rede de postos Aster, de Carlos Alberto de Oliveira Santiago. O negócio envolveu uma verdadeira engenharia financeira, já que a Via Brasil tem grandes dívidas com bancos e fornecedores. A compra inclui 94 postos da Via Brasil, que emprega 2 mil funcionários, e 35 da Aster.A compra da Via Brasil envolveu cerca de R$ 200 milhões - por volta de R$ 80 milhões são dívidas da Vibrapar com bancos e outros R$ 50 milhões com fornecedores. Já o dono da Aster recebeu pelos postos ações da nova empresa que será formada com a junção da Via Brasil e da Aster.A partir de agora, a BTG passa a ser dona da maior rede de bandeira branca do Brasil. Ainda não se sabe qual das duas marcas será mantida. Mas Esteves não quer parar por aí. Até o fim do ano, espera fechar a aquisição de mais uma pequena rede. A idéia é se fortalecer com a compra de redes que tenham entre quatro e 12 unidades nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Ao arrematar a Via Brasil e a Aster, os sócios da BTG conseguiram entrar no cobiçado mercado paulista, o maior do País. "Com a crise aumentaram as oportunidades de aquisição. Os preços melhoraram e tem mais gente à venda. Gostamos de dívida e de preço baixo", resume Carlos Fonseca, executivo da BTG que conduziu a negociação. Além da área de venda de combustível, a companhia prospecta também negócios em outros setores.O investimento em postos, garante Esteves aos mais próximos, nada tem a ver com a lenda que se criou em torno de seu nome. Há anos se comenta que no início da carreira o executivo sonhava em ter a própria rede de combustíveis. O que ele comenta com os colegas de mercado é que a aposta no setor tem a ver com a sua resiliência à atividade econômica e às suas característica de "utility" - ou seja, um consumo mais previsível, pouco sensível à crise. Para 2009, a previsão é que a nova rede chegue a um faturamento de R$ 900 milhões. Alexis Stepanenko, ex-ministro e presidente do conselho de administração da Vibrapar, holding da qual faz parte a Via Brasil, diz que pretende concentrar esforços na área de refinaria. "O ano foi muito difícil no mercado de petróleo. Primeiro, o barril chegou a US$ 150. Depois, caiu para US$ 50. Agora é a oportunidade de valorizar o negócio da refinaria", explica.

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