NYT
NYT

BTG demite 305 pessoas para reduzir custos em 25%

Em comunicado, banco anunciou reestruturação para reduzir custos e tentar manter a rentabilidade do negócio

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2016 | 08h10

SÃO PAULO - O BTG Pactual anunciou ontem o corte de 305 de um total de 1.653 funcionários no Brasil. A medida faz parte do processo de reestruturação do banco que está se adaptando à realidade do País e à do próprio banco, que passou por um momento turbulento após a prisão de seu fundador e ex-presidente André Esteves, no dia 25 de novembro passado, acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato. Esteves teve de sair da presidência do banco, mas continua um dos maiores acionistas, e está em prisão domiciliar desde 18 de dezembro.

De acordo com comunicado do banco, a redução em sua estrutura de custos, tem como objetivo uma diminuição de 25% dos custos totais, com a demissão de 18,5% do quadro do time, que inclui parte do “backoffice” (área administrativa), alto escalão e associados. Nenhuma linha de negócios do banco foi ou será desativada, ainda segundo o comunicado.

O banco preferiu fazer os cortes de uma vez, afirmou uma fonte a par do assunto. “A equipe que ficou está preparada para tocar o banco e trabalhar para manter a rentabilidade do negócio”, afirmou essa fonte.

Com a prisão de Esteves, o banco teve de acelerar processo de desinvestimentos de vários ativos (como participações na Rede D’Or e concessões na Espanha), carteiras de créditos e recebeu suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de R$ 6 bilhões, para estancar a crise instalada no banco.

Neste momento, o BTG está em negociações para a venda da Pan Seguros e do banco suíço BSI. Já os outros ativos que estão em processo de desinvestimento, como a rede de estacionamento Estapar e Petro África, por exemplo, estão sendo negociados, mas não no mesmo ritmo observado em dezembro, quando o banco sofreu uma forte fuga de capital e o banco tinha maior pressa em levantar capital.

O banco ainda mantém em seu portfólio ativos, considerados pouco estratégicos, que deverão ser vendidos, mas que ainda enfrentam problemas de gestão, como é o caso da varejista Leader e da BR Pharma, rede varejo farmacêutico. No caso da BR Pharma, o banco não descarta a venda de bandeiras do grupo que são consideradas mais atraentes, como a Big Ben, que tem forte presença de mercado no Norte do País.

América Latina. O BTG não deve fazer, por enquanto, cortes de pessoal fora do Brasil, mas essa medida não está totalmente descartada. Na América Latina, o banco tem uma equipe de cerca de 2,5 mil pessoas, incluindo o Brasil (antes das demissões anunciadas ontem). Fontes afirmam que a empresa não deve mexer em sua divisão de commodities, criada há dois anos e meio. Ontem, a unit (pacote de ações) do BTG Pactual registrou ligeiro recuo de 0,06%, a R$ 16,64.

O banco alemão Deutsche Bank, que está saindo de países latino-americanos, planeja cortar sua equipe no Brasil pela metade e levar seus negócios para outros lugares, disseram fontes à agência Bloomberg.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.