BTG e Caixa compram ativos do Pan

Em operação de R$ 580 milhões, ex-Panamericano fechou a venda de corretora e de seguradora para os sócios da instituição

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2014 | 02h05

O conselho de administração do Banco Pan (ex-Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos) aprovou ontem a venda da participação societária detida pela instituição na Pan Seguros e na Pan Corretora, conforme antecipou em maio o 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'. O valor da operação combinada foi de R$ 580 milhões.

Ao Estado, José Luiz Acar Pedro, presidente do Banco Pan, explicou que a Pan Seguros foi 100% vendida para a BTG Seguradora. Já na transação envolvendo a Pan Corretora, o BTG Pactual adquiriu 51% do negócio e a CaixaPar, empresa de investimentos da Caixa Econômica Federal, os outros 49%. O Pan é controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa.

De acordo com fato relevante divulgado ontem, o valor da transação será corrigido pela variação positiva de 100% da Taxa DI até a consumação do fechamento das operações.

Na operação, a CaixaPar resguardou o direito de manter, após a consumação da operação, a condição atual de co-controlador da Pan Seguros. "Esta venda permitirá que o Banco Pan mantenha o foco na originação de crédito, permanecendo com uma receita adicional decorrente do crescente negócio de seguros", informou o fato relevante. Isso porque foi firmado acordo operacional de distribuição, válido por 20 anos, por meio do qual a Pan Seguros utilizará o balcão do Banco Pan na comercialização de seus produtos de seguros. "Mais importante do que ter uma seguradora, monetizar (esse ativo) é uma forma de trazer resultado para o banco. O Pan continua com o foco em seguro, fazendo a distribuição", disse Acar.

Por se tratarem de negócios e contratos de compra e venda mutuamente dependentes, a consumação de uma venda estará sujeita à conclusão da outra. O negócio também dependerá da obtenção de todas as aprovações regulatórias necessárias. A transação contou com a assessoria financeira do Deutsche Bank e a assessoria jurídica do Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.

Aumento de capital. Na semana passada, o Banco Pan concluiu um aumento de capital de cerca de R$ 1,33 bilhão, promovido pelo BTG, Caixa e uma parte dos acionistas minoritários. Com essa transação, BTG e Caixa ficam com um pouco mais de 40% de participação cada no banco. O restante, 19%, está nas mãos do mercado.

A expectativa para os próximos meses é de que os sócios realizem um novo aumento de capital, no total de R$ 1,5 bilhão, por meio de ações preferenciais resgatáveis, explicou Acar. Essa operação também já foi aprovada em assembleia pelos acionistas, mas depende de uma série de aprovações regulatórias para ser concretizada.

Essas iniciativas têm o objetivo de o banco voltar a ser uma operação lucrativa. Em conferência de resultados do BTG referente a o balanço do segundo trimestre, realizada no início do mês, André Esteve afirmou que o Pan poderá voltar a ser lucrativo até o fim de 2015.

No ano passado, o banco Pan teve prejuízo de R$ 151,7 milhões. Em 2012, o resultado foi igualmente negativo (R$ 496 milhões). Na condição atual, o banco não tem conseguido reter o crédito que gera. Em 2013, o Pan somou quase R$ 7 bilhões em cessões, ante carteira total de pouco mais de R$ 15 bilhões. O banco registrou patrimônio líquido de R$ 2,3 bilhões em dezembro último. /COLABOROU EULINA OLIVEIRA

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