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BTG estreia com leve alta na Bovespa

Papéis do banco tiveram segunda maior movimentação da bolsa e subiram 0,64%

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h04

O banco BTG Pactual fez ontem sua estreia no pregão da BM&FBovespa, e conseguiu ter o segundo maior giro financeiro da bolsa, movimentando R$ 575 milhões - atrás apenas do R$ 1,23 bilhão movimentado pela Vale. Os papéis chegaram a subir mais de 4% durante o pregão, mas acabaram perdendo fôlego no final, fechando com alta de 0,64%.

Presente à cerimônia de início das negociações dos papéis, o presidente do banco, André Esteves, disse que os recursos obtidos com a oferta pública inicial dos papéis do banco (IPO, na sigla em inglês) serão destinados à ampliação dos negócios atuais. Embora existam muitas oportunidades no Brasil, conforme ele, os quase R$ 3 bilhões movimentados na oferta primária, na qual o valor captado vai para o caixa da empresa, não serão utilizados para nenhuma operação pontual. "Os recursos serão destinados ao curso natural do nosso negócio", ressaltou Esteves.

No total, os recursos captados pelo banco podem chegar a R$ 3,65 bilhões.

A abertura de capital do BTG, uma das mais esperadas pelo mercado, seguiu os passos tradicionais que o banco indica aos seus clientes, de acordo com o executivo. O resultado deu certo. A demanda dos investidores passou dos R$ 16 bilhões, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, e na semana anterior ao fechamento do preço dos papéis o banco já tinha ordens suficientes para colocar a operação no mercado. Mesmo assim, o BTG preferiu fixar o preço dos papéis em R$ 31,25, no centro da faixa indicativa, de R$ 28,75 a R$ 33,75, para guardar, conforme as mesmas fontes, o excesso de demanda para a abertura de ontem.

"Foi uma operação de enorme sucesso diante da grande crise global que estamos atravessando, mas a demanda não foi uma surpresa. Ficamos muito satisfeitos", disse o presidente do BTG.

Fora da curva. Apesar de o mercado considerar a abertura de capital do banco um ponto fora da curva, no sentido de não ser suficiente para irrigar um mercado que ficou nove meses sem novas operações, Esteves acredita que a oferta do primeiro banco de investimento no Brasil a listar ações em bolsa tenha criado uma mobilização da comunidade internacional. Isso porque, segundo ele, a movimentação dos investidores estrangeiros para participar da abertura de capital do BTG deve ser positiva para o Brasil, já que mostra a confiança que os investidores têm no País e pode ajudar novas empresas a irem ao mercado.

De acordo com uma fonte, um grupo estratégico de investidores europeus e asiáticos, dentre outros, apostou com força na operação do banco, de olho na possibilidade de expansão do mercado de capitais brasileiro. "Vendemos o BTG, mas também o Brasil, que, para dar continuidade à sua trajetória de sucesso, precisa apenas de uma pequena estabilidade e da não ruptura da Europa. Precisamos pouco do mundo", disse Esteves.

Sobre novas ofertas, o banqueiro destacou que está "confiante" e que, mesmo diante da crise global que também afeta o Brasil, já que o País está inserido neste contexto, devem vir mais ofertas para o mercado este ano. "Colocamos ofertas abaixo do piso neste ano, mas há muitos lugares no mundo em que os mercados não estão conseguindo fazer nem isso", disse.

O executivo se referiu aos processos de abertura de capital da companhia de frotas Locamerica, que teve suas ações precificadas em R$ 9, ante piso de R$ 11, e da Unicasa Móveis, cujo valor dos papéis foi fixado anteontem em R$ 14, abaixo do mínimo de 16,50. Esteves também afirmou que a abertura de capital do banco deve servir de inspiração para outras empresas, pois mostra o quanto o BTG acredita no mercado de capitais brasileiro.

O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que a abertura de capital do BTG merece comemoração em dobro, já que, além de a oferta representar a confiança dos investidores no Brasil, é a maior operação desse tipo no mundo até o momento. De acordo com dados da consultoria Ernst & Young, apenas uma oferta ultrapassou o nível de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano. A responsável pelo maior IPO do mundo no trimestre é a empresa holandesa de internet e TV a cabo Ziggo, que captou US$ 1,1 bilhão nas bolsas europeias. Edemir lembrou também que, de 2004 a 2011, o BTG Pactual foi coordenador de cerca de 50% dos IPOs colocados no mercado. / A.B.

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