Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

BTG garante retorno mesmo que a Sete Brasil 'vire pó'

Banco investiu R$ 1 bi na companhia que faz sondas para a Petrobrás e diz acreditar na sua recuperação; empresa é uma das denunciadas na Operação Lava Jato

ALINE BRONZATI , CYNTHIA DECLOEDT , O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2015 | 02h09

Com aporte de R$ 1 bilhão na Sete Brasil, empresa que constrói sondas para a Petrobrás e é uma das denunciadas na Operação Lava Jato, o BTG Pactual minimizou, nesta quinta-feira, 26, um possível impacto negativo desse investimento em seus negócios. "Para radicalizar, se a Sete virar pó estamos preparados para entregar o mesmo retorno de 20%", disse o banqueiro André Esteves, em teleconferência com investidores.

A Sete Brasil está com dificuldades financeiras desde novembro e inadimplente com pelo menos cinco estaleiros. Além do BTG, são acionistas os fundos de pensão Previ, Petros, Funcef e Valia, e os bancos Bradesco e Santander, que aportaram R$ 8,3 bilhões em forma de participação na companhia. Em setembro, a dívida da Sete Brasil já somava R$ 10 bilhões e havia expectativa de que um empréstimo seria concedido à companhia pelo BNDES.

O empréstimo, porém, foi interrompido depois de a Sete Brasil ter sido citada em depoimento que confirmou o pagamento de propinas pelos estaleiros à empresa.

Embora a empresa esteja em situação crítica, o BTG ainda não incluiu a Sete em suas provisões para devedores duvidosos e pretende aguardar até o fim do primeiro trimestre para, eventualmente, fazer uma baixa contábil pelo investimento na companhia. Segundo o diretor de finanças e de relações com investidores do banco, João Dantas, o BTG ainda acredita que o projeto Sete Brasil poderá evoluir. "De fato (a companhia) está com atraso (em seus compromissos financeiros), mas isso não significa que não haja possibilidade de os problemas se resolverem. Estamos otimistas", afirmou.

De todo modo, disse Esteves, "a Sete requer atenção". "Estamos vendo dificuldades e os investidores estão muito chateados, nós inclusive, mas esperamos ver esse tema resolvido."

No ano passado, o BTG elevou em mais de 200% suas provisões para devedores duvidosos, passando de R$ 400 milhões para R$ 1,3 bilhão. Com isso, o índice de provisionamento subiu de 1%, em 2013, para 2,5%, em 2014, da carteira de crédito do banco. O BTG acredita que esse nível de cobertura deve se manter em 2015 e, eventualmente, poderá cair, caso haja recuperação no crédito concedido à empresa de energia Eneva (ex-MPX), que está em recuperação judicial. No quarto trimestre, o banco aumentou para R$ 300 milhões a provisão por sua exposição na Eneva.

Retorno. Sobre o compromisso de entregar um retorno de 20% aos investidores, Esteves disse que "existem uma série de outras oportunidades no portfólio de private equity, como Rede D'or e Estapar, e temos entregado resultado com investimentos que estão mais maduros". Nesse sentido, ele citou a venda dos túneis da Espanha, em 2014, com a qual o banco obteve um lucro líquido de R$ 300 milhões.

Esteves também aposta no negócio de seguros, sob comando de André Gregori (ex-Fator), para garantir um resultado positivo em 2015. A partir do primeiro trimestre, o banco deve começar a reportar esse segmento em suas demonstrações financeiras. "Com a aquisição da Pan Seguros (seguradora do ex-Panamericano) e o seguro de crédito já há densidade dos resultados de seguros diversificada regionalmente, em termos de produto e risco como também relevância na receita", afirmou. Os prêmios de seguros do BTG Pactual totalizaram R$ 450 milhões em 2014, montante 59,2% maior que o registrado no ano anterior, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep).

No acumulado de 2014, o lucro líquido do BTG foi de R$ 3,411 bilhões, aumento de 23% na comparação com 2013. Ao fim de dezembro, a carteira de crédito do banco atingiu R$ 52,193 bilhões, montante 16% maior do que em setembro.

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