BTG indica ex-presidente da TAM para brigar por vaga no conselho da Usiminas

O banco BTG Pactual entrou ontem oficialmente na disputa por uma vaga no conselho de administração da Usiminas. O banco indicou o nome do executivo Marco Antonio Bologna, ex-presidente da companhia aérea TAM, para uma vaga. O candidato do BTG deverá disputar um assento no conselho com o investidor Lírio Parisotto, indicado pelo fundo L. Par. A votação será realizada em assembleia geral extraordinária (AGE) na segunda-feira.

O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2015 | 02h05

Em comunicado, a Usiminas informou que, até ontem à noite, havia apenas uma indicação para presidência do conselho de administração. O candidato é o advogado Marcelo Gasparino, que já é conselheiro da Usiminas, que permanece no cargo, pois foi eleito em votação separada - ele foi indicado pelo fundo L. Par.

O grupo que eleger o representante dos minoritários, poderá, na prática, escolher o presidente do conselho da Usiminas, disseram ao Estado fontes próximas a questão. O motivo é que os controladores - a Nippon Steel e a Ternium - estão em meio a um conflito societário que se estende há meses. A decisão, portanto, deve recair sobre os minoritários.

A saída do atual presidente do conselho da Usiminas, Paulo Penido, é dada como certa, uma vez que a sua permanência exigiria consenso entre Nippon e Ternium, algo que parece distante no momento. Ele foi indicado para a recondução ao conselho pela Nippon Steel.

Hoje as ações ordinárias, com direito a voto, nas mãos dos minoritários só permitem que eles elejam um conselheiro para a Usiminas - já que a siderúrgica CSN, acionista relevante, está impedida de votar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), por ser também concorrente da siderúrgica mineira. A CSN, de Benjamin Steinbruch, possui hoje cerca de 12% das ações ordinárias da Usiminas e 20% das preferenciais, mas não poderá interferir nesse processo.

O fundo L.Par reuniu investidores que somam cerca de 5% das ações votantes e o BTG Pactual tem fatia de cerca de 3%. Além dos candidatos do BTG e do L.Par, a gestora Tempo Capital indicou o presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, para o conselho da Usiminas.

Movimentação. O apetite do fundo do BTG por ações da Usiminas vem desde o início do ano chamando a atenção do mercado.

Segundo fontes a par do assunto, o fundo começou a adquirir ações desde setembro do ano passado, mês em que se tornou pública a briga societária na Usiminas com a destituição de três executivos do alto escalão da siderúrgica mineira, incluindo o até então presidente, Julián Eguren. Fontes apontam que o BTG conta com o apoio da Ternium, do bloco de controle. Na escolha de Bologna como candidato ao BTG teria pesado o fato de o executivo ser visto como um "conciliador", algo fundamental em um momento de conflito.

Gasparino se tornou um nome mal visto pela Ternium, apurou o Estado, justamente porque votou a favor da destituição dos executivos da Usiminas, nomes indicados pela Ternium.

Polêmica. A chamada da AGE para recompor o conselho da Usiminas ocorreu após a L.Par, que reúne recursos de Lírio Parisotto, conseguir agrupar minoritários que correspondem a 5% do capital social da siderúrgica para fazer o pleito.

Antes de indicar um candidato ao conselho da Usiminas, o BTG havia tentado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) postergar a realização da AGE sob o argumento de que houve ilegalidades relacionadas à assembleia, mas o pedido não foi atendido pela autarquia nesta semana.

O pedido de suspensão do encontro foi feito à CVM por fundo do BTG Pactual, alegando que houve ilegalidades relacionadas à assembleia. Ele se referia ao apoio da Sankyu, empresa japonesa na qual a Nippon Steel tem uma fatia de 3%, ao pedido para a chamada da assembleia. A Sankyu possui 1,8% das ações ordinárias da Usiminas.

A Nippon Steel, por sua vez, entrou com representação em 30 de março na CVM denunciando uma "violação clara do acordo de acionistas e da lei brasileira por parte da Ternium". A acusação era de que a companhia argentina teria indicado intenção de alugar parte de suas ações para poderem ser utilizadas na votação da assembleia.

O BTG Pactual, porém, negou, na terça-feira, que tivesse celebrado qualquer operação de empréstimo de ações da Usiminas detidas pela Ternium.

Já a Ternium enviou comunicado aos acionistas da Usiminas discordando do número de membros do conselho de administração a serem eleitos na AGE. A empresa argentina defendeu que apenas sete vagas para o conselho fossem preenchidas na segunda-feira, com apenas as indicações dos minoritários. / FERNANDA GUIMARÃES, MARINA GAZZONI, ALEXA SALOMÃO E FÁTIMA LARANJEIRAS

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