Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

BTG negocia venda da Rede D’Or e Esteves deixa comando

Com a prisão de André Esteves mantida pelo STF, banqueiro será afastado dos cargos; venda da fatia de 12% na rede de hospitais deve render cerca de R$ 2 bilhões

Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo e Sonia Racy, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2015 | 15h02

Texto atualizado às 22h10

SÃO PAULO - O BTG Pactual, na esteira da prisão de seu presidente e principal sócio, André Esteves, e do consequente derretimento de suas ações, está perto de fechar a venda de um dos seus principais ativos, a participação de 12% na rede de hospitais D’Or, para o GIC, fundo soberano de Cingapura, por cerca de R$ 2 bilhões.

Além disso, os sócios do banco discutiam mudanças na gestão da instituição, com o afastamento de Esteves dos cargos de presidente do conselho e presidente executivo, após o Supremo Tribunal Federal ter decidido manter o banqueiro na cadeia, transformando a prisão temporária em prisão preventiva.

Pela configuração que era negociada no domingo, o atual presidente interino do BTG, Pérsio Arida, se tornaria presidente do conselho de administração. A presidência executiva ficaria com Marcelo Kalim ou Roberto Sallouti, sócios do banco. Outra possibilidade a ser discutida pelos sócios seria a compra da participação de Esteves no BTG.

A venda de ativos, como a participação na Rede D’Or, é uma das saídas encontradas pelo BTG para tentar se fortalecer neste momento. Desde a prisão de Esteves, na quarta-feira, as ações do banco caíram 26%, com perda de valor estimada em cerca de R$ 7 bilhões.

O GIC entrou na Rede D’Or em maio, ao comprar por R$ 3,2 bilhões uma fatia de 16%, em uma venda em que tanto o BTG quanto os fundadores, a família Moll, se desfizeram de participação. O BTG havia comprado 25,6% da rede de hospitais em 2010 (por R$ 600 milhões), mas, com dificuldades em sua área de private equity, começou a se desfazer de participações no início do ano. Em abril, o banco já havia tido a participação diluída no negócio quando outro sócio, o fundo de private equity americano Carlyle, investiu R$ 1,75 bilhão na D’Or e passou a ter 8,3% do negócio.

Fontes afirmaram que o Carlyle já teria manifestado interesse, nos últimos meses, em adquirir a participação do BTG no negócio, mas o GIC acabou saindo agora na frente por ter mais liquidez. 

Decisões. A preferência pela negociação emergencial da participação na D’Or, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, se dá exatamente pela capacidade financeira do fundo soberano GIC de tomar decisões rápidas. “Eles gostam do negócio, estão satisfeitos e têm condições de agir rapidamente”, afirmou a fonte. A Rede D’Or está presente sobretudo em São Paulo e no Rio, e tem uma cadeia de 27 hospitais próprios, além de ser responsável pela administração de outros dois empreendimentos.

Na área de negócios, a Rede D’Or é considerada o melhor ativo do BTG. O banco foi criticado por vários investimentos que se revelaram malfadados, como a Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para gerenciar a construção de 28 sondas de exploração de petróleo e que acabou envolvida na Operação Lava Jato, e a BR Pharma, que passa por ajustes e pode exigir novos aportes por parte do banco. Há ainda a rede de lojas Leader, cujo negócio está sendo reestruturado com ajuda do consultor Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar.

Procurados, a Rede D’Or e BTG não comentaram o assunto. O GIC não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento dessa edição.

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