BTG Pactual adquire banco suíço BSI por US$ 1,7 bilhão

Segundo o BTG, a transação possibilitará a formação de uma franquia de private banking internacional; o negócio, sujeito à aprovação regulatória, deve ser concluído em 2015

Reuters e Agência Estado

14 de julho de 2014 | 07h47

A seguradora italiana Generali acertou a venda do private bank suíço BSI para o brasileiro BTG Pactual por 1,5 bilhão de francos suíços (US$ 1,7 bilhão) em dinheiro e ações, se desfazendo de uma unidade deficitária e aumentando sua solidez financeira. 

Para o BTG Pactual, o negócio implica uma expansão da área de gestão de recursos, com a adição de uma grande presença na Suíça. Segundo o banco, a transação possibilitará a formação de uma franquia de private banking internacional, com robusta base de capital, capaz de oferecer aos seus clientes soluções de investimento inovadoras e customizadas, com uma abrangência global e serviços diferenciados.

A transação, sujeita à aprovação regulatória, deve ser concluída no primeiro semestre de 2015.

O acordo, que o presidente-executivo da Generali, Mario Greco, chamou de "operação complexa", põe fim a mais de dois anos de pesquisa da Generali para encontrar um comprador adequado para um ativo que perdera apelo diante da implacável pressão dos Estados Unidos e outras nações ocidentais em relação ao sigilo bancário suíço. 

A Generali, que tinha comprado o private bank suíço por cerca de 1,9 bilhão de francos suíços em 1998, esperava obter um montante semelhante com a venda da unidade. Mas, no final, a instituição foi forçada a aceitar um preço menor e vai registrar prejuízo líquido de 100 milhões de euros (US$ 136,4 milhões) com a transação. 

Com o negócio, a seguradora completa um agressivo plano de desinvestimentos, vendendo € 3,7 bilhões em ativos não relacionados à área de seguros em cerca de 18 meses. A meta era de € 4 bilhões. 

Sob os termos do acordo, a parcela que a Generali receberá em dinheiro será de 1,2 bilhão de francos suíços. Os 300 milhões restantes serão entregues em ações ordinárias e preferenciais do BTG Pactual. 

Números do negócio. Com a compra, o BTG Pactual vai alcançar a marca de cerca de R$ 500 bilhões em ativos sob gestão entre gestão de recursos e gestão de fortunas, de acordo com o presidente do banco, André Esteves. "Isso nos faz um grande player global. É o grande tema dessa fusão. Nos coloca globalmente como um grande participante da indústria de asset management e com um uma presença significativa no negócio global de wealth management", afirmou o executivo, em teleconferência com a imprensa, realizada há pouco.

O lucro dos dois grupos combinados usando a base de 2013, conforme ele, é de R$ 3,1 bilhões. "Os números tendem a crescer para frente. Olhando essas duas coisas (BTG e BSI) combinadas, temos um banco muito capitalizado, com um sistema de partnership que é único em bancos de grande escala", disse Esteves, acrescentando que o sistema de partnership é a raiz da competitividade do banco, em que os sócios do BTG detêm 75%.

O executivo destacou ainda que embora o BTG já tenha uma franquia de gestão de recursos "significativa" no mundo, a aquisição do BSI será parte da capacidade do banco de prover produtos para clientes globais. "É o que vai definir a competitividade nesse mundo de private banking suíço daqui para frente. Não é mais o segredo bancário. É a capacidade de ter produtos e serviços de qualidade. Nos sentimos aptos a fazer isso", ressaltou Esteves.

Ao adquirir o BSI, o BTG passa a ter uma plataforma de mais de US$ 100 bilhões de ativos na Suíça e mais de US$ 200 bilhões ao todo, incluindo os ativos no Brasil e internacionais. "Com escala e qualidade, conseguiremos promover crescimento global significativo ao longo dos próximos cinco, dez anos", concluiu Esteves.

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