BTG Pactual/ Divulgação
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BTG Pactual revisa projeções para baixo e prevê crescimento zero para PIB do País em 2022

Banco de investimento cita como motivos para a mudança a pressão inflacionária, a alta de juros e o cenário eleitoral; antes, expectativa era de crescimento de 0,4% no ano

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 20h24

Citando volatilidade típica de anos eleitorais no câmbio, inflação pressionada e perda de tração da atividade com os juros caminhando aos dois dígitos, a equipe de análises macroeconômicas do BTG Pactual digital agora prevê uma economia estagnada (crescimento zero) para o Brasil neste ano.

O banco revisou, em relatório publicado nesta segunda-feira, 3, a previsão anterior que apostava em alta de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, ao mesmo tempo em que elevou, de 4,6% para 5%, a expectativa para a inflação medida pelo IPCA (inflação oficial) no ano, embora sem alterar a projeção de alta da Selic, ainda em 11,75%.

O viés da previsão ao PIB é de baixa – ou seja, há possibilidade de o prognóstico piorar. O BTG Pactual digital revisou suas previsões após indicadores recentes frustrantes da indústria, dos serviços e do comércio sugerirem que 2021 deixou uma herança estatística negativa para 2022.

O BTG Pactual digital compara o momento com o de 2014, ano marcado por inflação e juros altos, retirada de estímulos nos Estados Unidos e eleições no Brasil.

No contexto em que a economia perde tração mais rápido do que se esperava, o maior impacto negativo deve ser sentido na indústria, mas a volta do setor de serviços também deve perder força, com alguns de seus segmentos não retornando ao nível pré-pandemia, observam os analistas do BTG Pactual Digital Álvaro Frasson, Arthur Mota, Leonardo Paiva e Luiza Paparounis, que assinam o relatório.

Dólar

O cenário de câmbio, acrescentam, deve seguir “desafiador” por conta das eleições e da alta dos juros nos Estados Unidos, onde o mercado já começa a precificar a possibilidade de quatro aumentos na taxa dos fed funds neste ano. A expectativa dos analistas é de que o dólar ronde a cotação de R$ 5,60 ao longo de todo 2022, porém com a volatilidade subindo consideravelmente a partir do segundo trimestre, quando a eleição presidencial, “principal evento do ano”, ganha maior destaque.

Embora veja potencial de recuperação e uma janela menos volátil no primeiro trimestre, o BTG Pactual digital mantém uma posição neutra na exposição indicada em renda variável no Brasil, há que há riscos ainda elevados relacionados à desaceleração da economia e ao ambiente eleitoral.

Cenário internacional

Na análise da conjuntura internacional, o banco acredita que, com a Ômicron se mostrando, até agora, menos letal do que as cepas anteriores da covid-19, a alta de juros em resposta à inflação mais alta no mundo, em especial nos Estados Unidos, seguirá sendo o principal vetor de volatilidade no curto prazo.

Por outro lado, considerando as sinalizações de estímulos no país, a China pode começar a sair do pior momento de sua crise após o primeiro trimestre, o que vai contribuir ao desempenho de economias mais vinculadas ao gigante asiático, entre elas o Brasil.

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