Wilton Júnior/Estadão
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BTG vende Leader por R$ 1 para ficar livre de dívida de R$ 900 milhões

Rede fluminense de varejo popular, que tem 140 lojas, foi vendida à Legion Holdings, do advogado Fábio Carvalho, sócio da Casa & Vídeo; para enxugar operação da Leader, uma das estratégias seria devolver a rede paulista Seller à família de fundadores

O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 23h02

A Legion Holdings, empresa que tem entre os sócios o advogado Fábio Carvalho - conhecido pela reestruturação da rede Casa & Vídeo -, comprou do banco BTG, por R$ 1, a operação da Leader, cadeia fluminense de varejo popular que hoje tem 140 lojas e dívida de R$ 900 milhões. Segundo fontes, os débitos da companhia foram reestruturados nos últimos meses. Isso não quer dizer, no entanto, que os problemas da varejista tenham acabado. 

Segundo o Estado apurou, além dos desafios de mercado, como as vendas em queda e a pressão de credores, a nova administração também terá de lidar com os donos da rede Seller, que foi adquirida pela Leader em 2013 para reforçar a operação da varejista em São Paulo. Segundo fontes próximas ao assunto, a família Furlan, que já pediu uma vez a falência da varejista alegando ter R$ 150 milhões a receber, pretende voltar à Justiça nos próximos dias com esse mesmo argumento. 

Para evitar o litígio, a estratégia da “nova” Leader seria devolver a Seller aos Furlan - uma saída que a família estaria disposta a considerar. Com o objetivo de reduzir o tamanho da operação, a Legion Holdings repassaria a Seller, também por R$ 1, aos antigos donos, que ficariam livres de dívidas para recomeçar o negócio do zero. Os Furlan também não teriam de arcar com os estoques atuais das lojas, que estariam avaliados em R$ 20 milhões. 

Segundo uma fonte, a proposta está em negociação, mas o martelo ainda não foi batido. Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Fábio Carvalho descreveu um eventual acordo com os Furlan como “parte importante do processo de reestruturação” da Leader.

Ao repassar a Leader adiante, o BTG se livrou de um negócio que nunca decolou. O banco investiu cerca de R$ 1,7 bilhão na operação, incluindo a compra de 70% da Leader e a posterior aquisição do controle da Seller pela varejista. No varejo, o BTG continua com a operação da BR Pharma, de farmácias, da qual também pretende se desfazer.

Mãos de tesoura. A partir de agora, o advogado Fábio Carvalho deve assumir a presidência do conselho da Leader, mas o dia a dia das operações continuará sob a gestão de Leonardo Coelho, executivo da Alvarez & Marsal, consultoria que assumiu a gestão do negócio há dois meses, a pedido do BTG.

As dívidas da varejista já estariam, em boa parte, reestruturadas. Segundo apurou o Estado, entre os principais credores estão os grandes bancos de varejo, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Bradesco.

Diante do cenário de queda nas vendas, as instituições estão se mostrando dispostas a alongar e a aceitar carências para o pagamento de débitos, disse uma fonte. Outra forma encontrada pela varejista para aliviar seu endividamento foi a venda da sua participação na LeaderCard, operação de cartões da Leader, ao Bradesco.

 

Outras experiências. A Leader não é a primeira empresa em apuros no portfólio do BTG que a Legion Holdings adquire. No segundo semestre do ano passado, a empresa já adquiriu a companhia de transporte marítimo Bravante. A estratégia da Legion - que Carvalho toca com os sócios André Peixoto e Rogério Bimbi - é participar de processos de reestruturação de companhias em dificuldades financeiras.

Bem antes de formar a Legion Holdings, Fábio Carvalho ficou conhecido no mercado pelo processo de reestruturação da Casa & Vídeo. O advogado, que entrou no negócio quando era executivo da Alvarez & Marsal, acabou comprando a companhia, em 2009, com um empréstimo concedido pelo BTG.

Procurados, os advogados da Seller não quiserem se pronunciar oficialmente. Os donos da rede não foram encontrados. / DAYANNE SOUSA, FERNANDA GUIMARÃES, FERNANDO SCHELLER e MÔNICA SCARAMUZZO

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