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Buenos Aires amanhece com cartazes contra 'fundos abutres'

Após derrota na Justiça dos EUA, governo argentino quer negociar com a Corte norte-americana

Marina Guimarães, correspondente

18 de junho de 2014 | 11h32

BUENOS AIRES - A capital federal argentina amanheceu repleta de cartazes em apoio ao governo de Cristina Kirchner em sua disputa legal com o grupo de credores que não aderiram às reestruturações dos títulos da dívida (holdouts), beneficiados por uma sentença da justiça norte-americana.

Com o slogan "Basta abutres, a Argentina unida em uma causa nacional", o cartaz tem uma fotografia da bandeira dos Estados Unidos como fundo e, em segundo plano, um abutre. Os cartazes provocativos têm sido típicos instrumentos usados pelo governo Kirchner quando abraça alguma campanha polêmica.

Ontem à noite, o ministro de Economia, Axel Kicillof, anunciou que, para driblar um eventual embargo de ativos argentinos no exterior por parte dos holdouts, o governo pretende reabrir a troca dos bônus, embora, desta vez, unicamente sob jurisdição argentina, em Buenos Aires. A medida tem o objetivo de driblar o cumprimento da sentença emitida pelo juiz Thomas Griesa, de Nova York, que determinou o pagamento de US$ 1,33 bilhão a um grupo de holdouts liderados pelo fundo NML Capital, unidade da Elliot Managment, do multimilionário Paul Singer.

Paralelamente, o governo vai enviar à Nova York sua equipe de advogados para negociar com o juiz Griesa. Porém, o ministro reiterou afirmação anterior da presidente Cristina Kirchner de que o país não tem condições de pagar o valor determinado. Ao comentar o valor da sentença, Kicillof e Cristina arredondaram o número para US$ 1,5 bilhão. Kicillof explicou que, se o governo cumprir a determinação do juiz, outros holdouts e os credores regulares da dívida podem recorrer à justiça para exigir o mesmo tratamento e disparar ações no valor de US$ 15 bilhões. "Não temos condições de pagar isso", afirmou.

A decisão da Argentina foi tomada após sofrer, na segunda-feira, um revés na Corte Suprema de Justiça dos EUA, que rejeitou recurso apresentado pelo país para rever a sentença de Griesa, emitida em outubro de 2012. Pela sentença, os depósitos argentinos destinados a honrar os vencimentos da dívida reestruturada deverão ser retidos pelo banco pagador, nesse caso, o Banco de Nova York, para garantir o pagamento ao grupo de credores que ganhou a causa.

Essa retenção levaria a Argentina a dar um calote nos credores regulares. Para evitar esse default, segundo explicou Kicillof, o governo prefere realizar seu terceiro swap, desde 2001, com vistas a transferir o local de pagamento para Buenos Aires. Para ter êxito, a Argentina precisa de uma aceitação mínima de 85% dos credores. O próximo vencimento da dívida é 30 de junho, no valor de US$ 900 milhões. O governo corre contra o relógio.

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