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Buenos Aires e Santa Fé resistem à idéia de ajuste

A possibilidade de um acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ficou um pouco mais distante nesta segunda-feira, quando os governadores Felipe Solá, da província de Buenos Aires, e Carlos Reutemann, de Santa Fé, deixaram claro que não têm pressa em assinar com o governo federal os acordos individuais de ajuste de 60% dos déficits fiscais. Este ajuste é uma das condições indispensáveis impostas pelo FMI para liberar a ajuda financeira para a Argentina. O primeiro em disparar contra o governo do presidente Eduardo Duhalde foi o governador Solá. Ele declarou ter "vontade" de assinar o acordo de ajuste, mas sustentou que sua província precisa de "condições diferentes" das demais, já que o ajuste pactado "não é possível de cumprir". Solá administra a maior província do país - que corresponde a um terço da população e 36% do PIB -, responsável por quase metade do déficit fiscal total. Sem a província de Buenos Aires, o acordo com o FMI seria impossível. Há dois meses, o chefe da missão do FMI para a Argentina, o economista indiano Anoop Singh, disse sem papas na língua ao secretário de Economia da província, Gerardo Otero: "you are the big problem" - que traduzido para o português quer dizer ?vocês são o grande problema.?O governador Solá afirma que assinará o acordo somente se o governo federal garantir a receita da província, que neste ano terá de enfrentar gastos de 9 bilhões de pesos. O problema em Buenos Aires é que a arrecadação, despencando desde o ano passado, caiu 27% só no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Sem um fluxo de dinheiro assegurado desde o governo federal, seria impossível o ajuste, a não ser em troca de uma inusitada tensão social. Solá também admitiu que não sabe se poderá cumprir o pagamento dos funcionários públicos no próximo mês.ExportaçõesO governador Reutemann, que controla a terceira maior província do país, também evidenciou sua resistência, afirmando que será difícil conter os gastos. O secretário da Economia da província, Juan Carlos Mercier, afirmou que antes do ajuste o governo provincial "analisará as políticas macro-econômicas e que impacto elas possuem nos preços.? ?Nós vivemos daquilo que exportamos e essas exportações foram submetidas a uma violenta retenção", afirmou. As retenções criticadas por Mercier são os aumentos de impostos sobre as vendas ao exterior impostas pelo governo Duhalde.De um total de 24 províncias, somente seis assinaram os acordos individuais até o momento. Destas, apenas uma, a de Córdoba, é uma das províncias "grandes" do país. O chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, contra-atacou os governadores. ?Aqui não existe uma solução para alguns e outra para outros", disse. Segundo Atanasof, todas as províncias e o governo federal concordaram com o procedimento do acordo. "Estamos todos no mesmo barco?, afirmou. O chefe do gabinete admitiu que para algumas províncias, o ajuste de 60% é "um esforço considerável".

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