Buffet faz nova aposta no setor de seguros do País

Megainvestidor norte-americano obteve, nesta semana, autorização da Susep para operar uma resseguradora no mercado brasileiro

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h04

O megainvestidor norte-americano Warren Buffett fez uma nova aposta no mercado de seguros brasileiro e terá também uma resseguradora eventual no País. A Berkshire Hathaway recebeu na quinta-feira autorização da xerife do setor, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), para operar como uma companhia eventual, ou seja, sem precisar ter um escritório de representação no País.

Buffett já está presente no mercado brasileiro por meio da principal resseguradora do Grupo, a General Re. Considerada uma das maiores do mundo, a empresa tem licença desde 2008 para atuar como uma empresa admitida, ou seja, com escritório no País e conta em moeda estrangeira vinculada ao órgão regulador. A resseguradora tem rating AA+ pelas agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch Ratings, segundo a Susep, e opera no ramo de danos e pessoas.

Agora, com uma empresa eventual, a Berkshire poderá explorar ainda mais o mercado de resseguros, que responde pelos seguros das seguradoras - mas, desta vez, sem precisar ter um escritório de representação no País. Conforme as leis do Reino Unido, a companhia precisa ter US$ 150 milhões de patrimônio líquido e classificação de risco um degrau acima do mínimo de grau de investimento. Também não pode estar sediada em paraíso fiscal.

Os negócios de seguros, resseguros e serviços administrados respondem por mais da metade dos resultados do grupo Berkshire, que tem ações listadas bolsa de Nova York. No primeiro trimestre deste ano, a companhia apresentou lucro líquido de US$ 4,705 bilhões - montante 3,8% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. Em 2013, o conglomerado do megainvestidor registrou um lucro recorde US$ 19,5 bilhões, ante US$ 14,8 bilhões em 2012.

Mercado. A nova ofensiva de Warren Buffett no País mostra que, mesmo passados cerca de seis anos da abertura do mercado de resseguros brasileiro, o setor ainda continua atraindo competidores internacionais, a despeito do baixo crescimento da economia e da queda do resultado dessas empresas no País.

Em 2013, o mercado de resseguros brasileiro viu seu lucro líquido recuar 46,2%, para R$ 271 milhões, ante mais de meio bilhão de reais em 2012, segundo análise feita pela resseguradora Terra Brasis Resseguros com base nas demonstrações financeiras publicadas em jornais.

Desde a abertura do mercado, mais de 100 companhias desembarcaram no País como resseguradoras locais ou como companhias estrangeiras com licenças para atuar como admitida ou eventual, na classificação da Susep.

Disputam esse mercado empresas nacionais como IRB, J.Malucelli, Austral, BTG Pactual e Terra Brasis, e também companhias internacionais, como Munich Re, Swiss Re, Allianz, AIG, Ace e Zurich, dentre outras.

Concorrentes. Diante de tamanha concorrência, o IRB, fundado em 1939, teve de se reestruturar para ser mais competitivo uma vez que viu sua participação de mercado cair para 30%. Diante disso, iniciou um processo de desestatização que resultou, dentre outros fatores, na aquisição de 20,51% do ressegurador pela BB Seguridade, holding que reúne os negócios de seguros do Banco do Brasil. Dentre seus acionistas, ainda estão grandes nomes do mercado como Itaú Unibanco e Bradesco. O último passo é a abertura de capital esperada para os próximos anos.

De janeiro a março de 2014, o IRB teve lucro líquido de R$ 41,8 milhões, revertendo prejuízo de R$ 20,811 milhões registrado um ano antes. Com patrimônio líquido de R$ 2,715 bilhões ao final de março, o IRB soma mais de R$ 12 bilhões em ativos totais.

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