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Bunker esconde segredos nos Alpes

Em cenário à la James Bond, empresa suíça lucra com aumento da busca por segurança de dados bancários

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

O cenário parece o de um filme de James Bond, com entradas secretas para o interior de montanhas, passagens codificadas, sistemas contra ataques terroristas e antenas de satélite nos topos dos picos gelados. No interior de uma montanha nos Alpes, dados bancários das maiores fortunas e dos principais bancos do mundo estão estocados em um bunker do exército suíço, abandonado depois do fim da Guerra Fria e do perigo de uma guerra nuclear. O Estado apurou que dados de fortunas de brasileiros também estão guardados no interior da montanha. Diante da crise financeira, das turbulências no mercado, da luta contra a lavagem de dinheiro e da explosão de hackers capazes de tudo, cresce a demanda dos bancos e de clientes por segurança máxima em relação às informações digitais de suas contas. Para a Justiça dos países que buscam lutar contra a evasão fiscal ou outros crimes, a nova tecnologia promete dificultar a tarefa de encontrar provas de crimes financeiros. Em meio aos Alpes suíços, em um local pouco suspeito, a empresa Siag criou há dez anos o que chama de Fort Knox Suíço, uma referência ao Fort Know, cofre forte do Tesouro americano onde estão guardadas as reservas de ouro. Mas a empresa que fica nas proximidades da luxuosa estação de esqui de Gstaad revela que, de fato, a procura por seus serviços explodiu nos últimos meses diante da crise. "A proteção de dados hoje é estratégica", afirmou Christoph Oschwald, presidente da SIAG Secure Infostore. A empresa não revela seus lucros nem quantos clientes têm dados guardados em seus sistemas. "São alguns milhares", disse Oschwald. Mas a demanda cresce tanto que a companhia já usa duas montanhas diferentes para estocar os dados e conta com um acordo de joint venture com militares suíços para usar os bunkers. Um deles está na região de Saanental. No total, US$ 40 milhões foram gastos apenas para a construção da estrutura nos Alpes. Segundo a empresa, os clientes e bancos estão cada vez mais preocupados com a segurança das contas. No início do ano, um funcionário de um banco de Liechtenstein teria fugido com os dados bancários de centenas de clientes. As informações foram vendidas para vários governos europeus que as utilizaram para desmascarar operações de lavagem de dinheiro e evasões fiscais. "Roubar informação ou comprar informação roubada é crime. Portanto, o comportamento do governo alemão é ilegal", afirmou o executivo.A prisão no primeiro semestre de altos funcionários do UBS nos Estados Unidos também preocupa o mercado. Ele confessou que estava operando em casos de evasão fiscal e o temor dos clientes era de que suas informações caíssem nas mãos do fisco americano.Em meados de novembro, França e Alemanha anunciaram que vão pressionar para que a revisão do sistema financeiro internacional também acabe com os paraísos fiscais. Para o ministro de Finanças de Berlim, Peer Steinbrück, esses locais são verdadeiros "buracos negros" no sistema internacional.Há um mês, um jornal francês revelou que a conta do presidente Nicolas Sarkozy havia sido alvo de ataque de hackers. As informações estavam guardadas no subsolo de uma montanha nos Alpes.Diante dos riscos que os novos e antigos milionários hoje enfrentam, a empresa suíça passou a oferecer serviços mais sofisticados para garantir o segredo das informações. Um dos serviços oferecidos é o Proseco, sigla para Professional Secure Collaboration.O nome é tão obscuro como o serviço prestado. Trata-se de um sistema de criptografia em que nem mesmo um banqueiro saberia como acessar sozinho as contas de seus clientes, porque exige novos códigos praticamente a cada uma hora. O serviço impede que o banqueiro, mesmo se for preso, revele às autoridades como ter acesso às contas de seus clientes. Na Suíça, como em outros paraísos fiscais, a evasão fiscal não é crime desde que tenha sido cometida no exterior. Portanto, a empresa alega que seu sistema de proteção não é ilegal e admite que atende a clientes brasileiros. Cada funcionário passa por inúmeros controles biométricos antes de entrar nas salas de controle que são à prova de explosões. Um sistema ainda protege contra influências magnéticas de fora da montanha e medidas para evitar ataques terroristas também foram implementadas. Obviamente, aos jornalistas, a empresa proíbe fotos. Apenas se divulgam aquelas tiradas pela própria companhia.

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