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Buraco sem fundo

Já será bom demais se a nova equipe econômica não tomar as mesmas decisões equivocadas que marcaram os últimos cinco anos de governo Dilma

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 21h00

O primeiro recado deixado pelos principais ministros da área econômica do governo em exercício é o de que o rombo fiscal é muito maior do que o admitido pelo governo Dilma.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já chegou dizendo que “as contas de desonerações e subsídios são enormes, a conta de salários é enorme”. Mas não ousou avançar magnitudes, ou porque não confia nos números que encontrou ou porque ainda não sabe o que são.

Mas o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que é também relator-geral do Orçamento da União, avisa que o rombo deste ano será superior a R$ 96 bilhões, volume já submetido a revisão e admitido antes da posse do atual governo.

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, reconheceu que não há condições ainda de avaliar o tamanho do déficit, entre outras razões, porque o Supremo dispôs que a dívida dos Estados terá de ser negociada com a União e não será possível saber de antemão o tamanho da conta que será repassada ao Tesouro Federal.

E há os esqueletos, alguns dos quais mais ocultos do que outros, especialmente na Caixa Econômica Federal, no BNDES, em muitas empresas estatais e, muito provavelmente, na Petrobrás, que precisa urgentemente de injeção de capital.

Isto posto, a definição de metas realistas e não sujeitas a revisão, como prometeu Meirelles, pode ser um desafio mais complicado e ainda mais difícil do que até agora prometido, porque o levantamento pode demorar e, ao longo dessa demora, apresentar novas surpresas.

Afirmações anteriores de que o novo governo não vai aumentar impostos devem ser entendidas como declaração de intenção destinada, por enquanto, a não afugentar o pato da Fiesp. Meirelles não poderia ter sido mais claro quando afirmou que, se houver necessidade de aumentar impostos, essa nova carga tributária terá caráter apenas provisório.

A gente já conhece essa história. Os impostos começam por levar o adjetivo “provisório”, até no nome, como aconteceu com a CPMF, mas em seguida vão ficando... ou, então, ameaçam voltar, como agora.

O enunciado do ministro Henrique Meirelles de que mais importante do que o valor da aposentadoria é recebê-la parece prudente e lógico. Mas carrega a hipótese de sua redução. O fato é que o atual estado das finanças da Previdência não garante nada. Hoje, muitos Estados vêm atrasando o pagamento das aposentadorias dos seus ex-funcionários e também dos salários dos seus atuais servidores, porque não têm caixa para isso. A matemática, enfim, não se sujeita nem às leis humanas nem aos direitos adquiridos.

E tudo isso vai mostrando como é preciso sair dessa recessão e voltar ao crescimento sustentado, para que a arrecadação não sofra mais tantos tombos.

Mas, convenhamos, ninguém poderia esperar muito mais do que isso nos primeiros dias das autoridades do governo em exercício. Já será bom demais se não tomarem as mesmas decisões equivocadas que marcaram os últimos cinco anos de governo Dilma.

CONFIRA:

A prévia do PIB, divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, segue repassando más notícias, como o gráfico está mostrando. 

 À espera da confiança

No primeiro trimestre do ano, a atividade econômica recuou 1,44%, o que perfaz uma queda de 5,26% em 12 meses, bem mais do que vêm apontando as estimativas para este ano. (Na Pesquisa Focus, as projeções são de queda do PIB de 3,86%.) A expectativa agora é de que a política econômica do atual governo consiga inspirar confiança e que os investimentos aconteçam.

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