Burocracia barra integração das bolsas

O presidente da Bolsa de Valores do México, Manuel Robleda, afirmou ontem que, em meados de 2001, deverá entrar em operação um projeto-piloto de integração entre grandes mercados de bolsas. Segundo ele, passaria a haver três blocos: da Europa (Paris, Amsterdã e Bruxelas), da Ásia-Oceania (Tóquio e Sidney) e das Américas (Nova York, Toronto, México e São Paulo).Neste mercado consolidado, não haveria mais necessidade de as empresas lançarem American Depositary Receipt (ADRs) na Bolsa de Nova York. "A essência é construir uma plataforma central de operações para todos os valores", disse, durante a 27ª Assembléia-Geral Ordinária da Federação Ibero-Americana de Bolsas de Valores (FIABV).Diversidade de tributos e leisO presidente da FIABV, Pablo Valdés, disse que a maior dificuldade para a criação de uma central de liquidação integrada é a diversidade de leis e tributos e o tratamento que cada país dá à entrada e saída de capital estrangeiro. Ele acha que a integração das bolsas latino-americanas atrairia mais investimentos. Mas, para isso, diz, é necessária a isenção de tributos. "Qualquer tipo de entrave à entrada e saída de capital ligado à tributação é um castigo que o país se impõe", afirmou.Burocracia e CPMFAs Bolsas de Buenos Aires e São Paulo poderiam estar já integradas se o Banco Central brasileiro autorizasse a livre transferência de divisas entre os dois países, na opinião do presidente da Bolsa de Valores de Buenos Aires, Joan Peña. Ele acha que a consolidação do Mercosul poderá facilitar essas negociação.O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Alfredo Rizkallah, afirmou a vontade de formar um mercado comum é unânime. Rizkallah explicou que o mercado comum depende dos governos e parlamentos dos países envolvidos já que é necessária a uniformização das legislações tributárias e do mercado de capitais. "Nenhum dos nossos colegas aqui tem CPMF em seus países", disse o presidente da Bovespa.

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