Busca por álcool sobe com popularização do carro flex

RIO

Alessandra Saraiva e Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

Apesar dos problemas de abastecimento causados pela produção insuficiente, a popularização de veículos flex faz com que a procura por etanol aumente ano a ano. O relatório do consultor Cristiano Martins Guimarães revela que a frota flex cresceu 23% ao ano entre 2005 e 2010, enquanto o volume de cana-de-açúcar moída subiu apenas 8% no período.

O quadro de carência de oferta agravou-se em dezembro de 2008, quando o governo, como forma de estimular o crescimento econômico, isentou do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os carros com motor até mil cilindradas e reduziu pela metade a alíquota dos flex.

Em 2012, irão às ruas mais 3 milhões de veículos, sem que a produção de etanol avance além dos cerca de 25,5 bilhões de litros de etanol da última safra. Pelo contrário: por questões climáticas, a próxima safra pode ser bem menor.

"Acredito que, com a perspectiva atual de quebra da safra, na próxima entressafra, independentemente de o governo fazer estoque pela ANP, o preço do álcool vai disparar", previu Guimarães.

A repetição em 2012 da alta de preços deste ano atemoriza Paulo Miranda Soares, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).

"Estamos preocupados com a situação do mercado. Na entressafra passada ficamos na berlinda, de forma pejorativa. Foi um desgaste enorme para a revenda. Temos notícia de que a próxima safra será pior do que a passada", disse.

A Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar)não se pronunciou, alegando ter que esperar o total de cana moída em julho e a atualização da safra. No fim de maio, seu diretor técnico, Antônio Pádua Rodrigues, demonstrou pessimismo.

"Não haverá nada de diferente do que ocorre hoje: os problemas de estoque e de alta nos preços continuarão a ocorrer nos períodos de entressafra. Se não houver incentivos, ficaremos na mesmice de hoje, pelo menos até 2015. Certamente não haverá oferta para atender a demanda", afirmou.

Por ordem da presidente Dilma Rousseff, a ANP passou este ano à condição de reguladora do etanol. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão disse que, para regular preços e evitar oscilações, a Petrobrás, em quatro anos, triplicará a produção.

"A Petrobrás produz hoje cerca de 5% de todo o etanol consumido no Brasil. Vamos avançar para produzir até 15% nos próximos anos", afirmou. A ANP não quis comentar o tema.

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