Busca por renegociação de dívidas supera expectativas

As instituições chegaram a renegociar mais de 90% das dívidas das pessoas que compareceram aos estandes do Feirão Limpa Nome, que começou a funcionar na quarta-feira (25) e vai até sábado (28), na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, com o objetivo de permitir a renegociação de débitos entre devedores e credores. A alta procura dos consumidores surpreendeu as instituições financeiras que reforçaram o número de postos de atendimentos nesta quinta-feira.

RICARDO CARVALHO, ESPECIAL PARA AE, Agencia Estado

26 de julho de 2012 | 20h10

"Ontem (quarta-feira) atendemos com oito mesas e hoje (quinta-feira) estamos com mais quatro, devido ao grande número de pessoas que nos procuraram. E para sábado, quando o público deve ser ainda maior, teremos mais quatro", afirma Augusto Mello, superintendente de cobrança do banco HSBC. A Serasa Experian, que organiza o evento, ainda não divulgou dados consolidados do movimento.

O superintendente do HSBC, banco que possui a financeira Losango, também presente ao feirão, afirma que as dívidas renegociadas vão de modestos R$ 46 a um caso de R$ 92 mil. Ele estima que cerca de 40% dos atendimentos foram para tentar solucionar a situação de clientes com a Losango, na qual o limite máximo de endividamento no cartão de crédito, por exemplo, é de R$ 3 mil.

Outra participante do feirão, a Caixa Econômica Federal também teve reforçar o número de atendentes por causa da intensa demanda. Segundo a gerente da área de recuperação de ativos em São Paulo, Neiva Macimo, o banco começou com oito postos de atendimento, número que cresceu para 14 hoje. Ela informou que 170 pessoas procuraram o estande da Caixa na quarta-feira, sendo que mais de 90% conseguiram um acordo. "Os principais casos foram de cheque especial, Construcard, cartão de crédito e consignado."

Já o banco Santander diz ter realizado 400 atendimentos ontem, sendo que os casos se concentraram em renegociação de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento de veículos. O Panamericano ainda não conseguiu contabilizar o número de pessoas que procurou os balcões de atendimento ontem, mas adiantou que 80% do público conseguiu fechar um acordo. O desconto nas dívidas chegou a 50% em alguns casos.

O endividamento com contas de luz também teve espaço no evento e a AES Eletropaulo chegou a atender 70 pessoas, sendo que 25 conseguiram descontos em suas dívidas. O valor total renegociado ontem pela fornecedora de energia em São Paulo foi de R$ 35 mil. As Casas Bahia, também com espaço no Feirão, ainda não fez um levantamento do movimento.

Para o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro, o feirão ajuda a dar visibilidade para o problema da inadimplência no País. Ele aposta numa leve queda dos índices no segundo semestre de 2012. O número de pessoas que possuem débitos bancários vencidos há mais de 90 dias, por exemplo, está ao redor de 8%, mas deve retroceder, de acordo com as expectativas de Loureiro, para 7% até o final do ano.

Apesar da relativa melhora, o presidente da Serasa alerta que o cenário nacional ainda é preocupante. "Não há nenhuma instabilidade. Mas é preciso ressaltar que em países como Estados Unidos e Reino Unido, mesmo no pico da crise de 2008, essa taxa era de 5%".

Ele acredita que um dos principais fatores que contribuiu para a atual situação foi o crescimento do acesso ao crédito observado desde 2010. "O que a gente percebe é que as pessoas se empolgaram no ano passado e deram um passo maior do que a perna. Elas foram movidas por uma euforia muito grande, compelidas por uma oferta de crédito, e não calcularam bem as suas possibilidades de solvência."

Augusto Mello, do HSBC, tem avaliação semelhante. "Um dos objetivos da nossa participação no feirão é encontrar uma solução para o cliente que, no ano passado, comprou sem experiência de consumo, se endividou demais e está querendo pagar." O feirão segue até sábado e, de acordo com o presidente da Serasa Experian, espera receber 60 mil pessoas.

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