Marinha do Brasil/Divulgação
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Buscas no ES por desaparecidos de explosão são retomadas

Cinco pessoas morreram no navio-plataforma da Petrobrás, outras cinco seguem internadas; duas vítimas tiveram alta neste sábado

Carina Bacelar e Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 14h01

RIO - As buscas pelos quatro desaparecidos após a explosão no navio-plataforma Cidade de São Mateus, na Bacia do Espírito Santo, na quarta-feira, 12, foram retomadas na manhã deste sábado, 14, enquanto duas vítimas tiveram alta. A explosão deixou pelo menos cinco mortos e 26 feridos. Cinco pessoas seguem internadas.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), as buscas foram retomadas de manhã. "A plataforma estava totalmente sem luz. O religamento seria feito hoje, e teria energia elétrica suficiente para puxar iluminação para onde eles precisam", informou a coordenadora-suplente do sindicato, Mirta Rosa de Souza Chieppe, que soube da operação às 10h deste sábado.

O navio-plataforma é afretado à Petrobrás pela norueguesa BW Offshore. Nesta sexta-feira, 13, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou o navio-plataforma e, a Polícia Federal (PF) decidiu abrir investigação sobre o acidente.

Em nota, a BW Offshore informou que uma equipe de mergulhadores especializados iniciou a instalação de tampas nas caixas de mar. "Depois dessa operação, que deve ser concluída nos próximos dias, começam os trabalhos de retirada da água interna. A empresa esclarece que a plataforma está estável, sem entrada de água", diz a nota.

Ainda segundo a empresa, as buscas não foram interrompidas, pois as atividades executadas no momento são essenciais para a sua realização.

Segundo boletim médico divulgado neste sábado pelo Vitória Apart Hospital, em Serra, na Região Metropolitana de Vitória, onde está a maioria dos feridos, duas vítimas seguem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), "em estado grave, mas estável".

Outras duas vítimas seguem internadas em apartamentos, em tratamentos ortopédicos. Uma das altas foi no fim do dia de sexta-feira e outra na manhã deste sábado.

O quinto ferido permanecia internado no Hospital Metropolitano de Serra até as 14h deste sábado.

De acordo com informações passadas ao Sindipetro-ES, a água que invadiu a embarcação depois da explosão ocupa de cerca de 2 metros de altura na casa de bomba do navio, onde estariam os desaparecidos. Mirta admite que a chance de ainda haver sobreviventes é remota.

"Pela nossa experiência, a gente não trabalha com essa hipótese, é muito improvável", disse a sindicalista.

O sindicato trabalha para dar assistência às famílias das vítimas, que estão sendo acompanhadas por médicos e psicólogos no Hotel Bristol Century Plaza, na Praia de Camburi, em Vitória.

De acordo com a coordenadora, os cinco feridos que já foram liberados dos hospitais estão passando por avaliação de psicólogos, contratados pela BW Offshore. "Estão fazendo uma espécie de triagem para saber quem está bem para voltar para casa", disse.

Mirta conversou com as famílias das vítimas. "Um deles, que estava muito abalado, chegou a vestir a roupa (de proteção) em um colega para que ele fosse tentar conter o vazamento, e ele acabou morrendo", afirmou.

Na manhã deste sábado, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, foi enterrado por volta de 9h Wesley Bianquini, de 36 anos, um dos trabalhadores mortos no acidente. Bianquini era casado e pai de dois filhos e trabalhava na BW Offshore como técnico de segurança do trabalho. De acordo com a imprensa local, o friburguense teria chegado ao navio-plataforma pouco antes da explosão, por volta das 13h.

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