Bush congela juro de hipotecas

Medida é a mais importante de pacote de ajuda a mutuários; para analistas, 300 mil pessoas serão beneficiadas

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou ontem um plano para congelar durante cinco anos as taxas de juros de financiamentos imobiliários de alto risco (conhecidos como subprime). As medidas atingirão 1,8 milhão de devedores que terão taxas de juros reajustadas em 2008 e em 2009. "Há vários devedores responsáveis que podem evitar a execução da hipoteca se receberem ajuda", disse Bush. Mas, segundo analistas, no máximo 300 mil devedores cumprem todas exigências necessárias para entrar no plano de congelamento. O presidente americano afirmou que 1,2 milhão do 1,8 milhão de pessoas com hipotecas a serem reajustadas em 2008 e 2009 estariam aptos a se candidatar ao plano. Essas pessoas teriam suas taxas congeladas na faixa introdutória de 7% a 8% ao ano, evitando o reajuste para 11%. Os reajustes deveriam resultar em prestações US$ 350 mais altas, subindo de uma média de US$ 1,2 mil para US$ 1.550 por mês.O plano só atende aos devedores que tomaram empréstimos entre 2005 e 30 de julho deste ano, e terão os juros elevados em 2008 e 2009. Os devedores precisam ter fonte de renda e não podem estar há mais de 60 dias atrasados nos pagamentos. O benefício não se aplica às pessoas que conseguem arcar com as parcelas da hipoteca mesmo com a taxa mais alta. O congelamento é a medida mais radical do plano, que tem como objetivo fazer refinanciamentos por atacado, em vez de manter o moroso processo caso a caso. O plano prevê outras duas opções: refinanciamento pela Agência Federal de Moradia ou diretamente com a empresa de hipoteca. O presidente americano admitiu que o subprime é um problema que se está alastrando pela economia americana e mundial. Ontem de manhã, a Associação de Empresas de Hipoteca anunciou que as execuções de hipoteca atingiram recorde no terceiro trimestre, atingindo 1,69% de todos os financiamentos (ver box). "Algumas empresas concederam empréstimos que os devedores não entendiam; alguns devedores tomaram empréstimos que sabiam não poder pagar; para completar, essas hipotecas foram transformadas em títulos que foram vendidos para investidores em todo o mundo", disse Bush. "Portanto, quando as incertezas sobre empréstimos subprime crescem, se espalham para o mercado financeiro todo." Bush afirmou que o secretário do Tesouro, Henry Paulson, está trabalhando para evitar que as perdas do subprime contaminem a economia em geral.Mas Bush e Paulson tentaram reassegurar ao público sobre a capacidade de os EUA absorverem o choque. "A economia dos EUA é forte e flexível o suficiente para resistir a essa tempestade", disse Bush.O presidente americano afirmou que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai anunciar novas regras para coibir abusos no setor de financiamento imobiliário. Ele criticou o Congresso por não ter acelerado a passagem de uma lei de proteção aos devedores. Para muitos analistas, o plano é "muito pouco e chega tarde demais", já que vai acabar beneficiando não mais do que 300 mil devedores. Outra crítica é a suposta criação de "risco moral", ou seja, com esse tipo de plano de resgate, devedores irresponsáveis estariam sendo recompensados. "Evitar as execuções de hipoteca que podem ser evitadas beneficia toda a economia", justificou Paulson. Ele admite que o plano não é uma panacéia. "A estratégia não é uma fórmula mágica - estamos diante de um problema complexo, para o qual não existe solução perfeita", disse o secretário do Tesouro.

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