Bush defende resposta coordenada do G-7 contra a crise

Após reunião, presidente americano diz que turbulência nos mercados precisa de 'resposta global séria'

Agências internacionais,

11 de outubro de 2008 | 09h13

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou na manhã deste sábado, 11, que a crise financeira necessita de uma resposta coordenada global e que os membro do Grupo dos 7 (G-7) trabalharão juntos para resolver o problema. Antes do encontro com representantes das maiores economias do mundo, Bush reiterou que os EUA cooperarão com os outros países por uma solução.   Veja também: G7: 'todos os meios' contra a crise Bolsa cai 20% em semana de pânico  Como o mundo reage à crise  Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira    O G-7 se reuniu em Washington na tentativa de buscar caminhos para acalmar os mercados depois das baixas histórias registradas nesta semana. Em um discurso após o encontro, Bush afirmou que todos concordaram que a crise financeira é global, e necessita de uma resposta séria. O presidente afirmou que os EUA usarão todas as ferramentas possíveis para controlar a crise, mas advertiu que a solução para a turbulência nos mercados ainda levará tempo.   "Todos nós reconhecemos que esta é uma séria crise global e por isso precisa de uma resposta global séria para o bem de nossas populações", afirmou Bush. Segundo a BBC, o presidente acrescentou que todos estão determinados a "continuar os grandes esforços para levar suas economias de volta ao caminho da estabilidade e do crescimento de longo prazo".   De acordo com Bush, os Estados Unidos têm um papel especial a desempenhar na liderança da resposta à crise, por isso ele convocou a reunião deste sábado com os ministros das finanças na Casa Branca. "E é por isso que o nosso governo vai continuar utilizando todos os instrumentos à disposição para resolver a crise", explicou o presidente americano.   Plano de ação do G7   O G7 lançou nesta sexta um comunicado com cinco pontos de ação. Entre eles o de "usar todas as ferramentas possíveis para apoiar sistematicamente importantes instituições financeiras e impedir suas falências" e "tomar todos os passos para garantir que bancos e outras instituições financeiras tenham pleno acesso à liquidez e ao financiamento".   O grupo dos países ricos também destacou a necessidade de "garantir que os bancos de nações diversas possam, quando necessário, levantar capital de fontes públicas, bem como privadas". O quarto ponto de ação foi o de "assegurar que as garantias dos depósitos sejam robustas e consistentes". O último ponto foi de se comprometer "a tomar medidas, quando apropriado, para reativar os mercados secundários de hipotecas, e outros ativos titularizados".   Intervenção americana   A reunião com Bush vem após um encontro nesta sexta-feira dos ministros das Finanças do G7 com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson. Após a reunião, Paulson disse que que o governo americano irá comprar ações de bancos. "Estamos desenvolvendo estratégias para usar a autoridade de comprar e garantir bens hipotecários e de comprar ações em instituições financeiras, consideradas necessárias para promover a estabilidade do mercado financeiro", afirmou Paulson.   Muitos analistas já diziam que a guinada intervencionista do governo dos Estados Unidos representaria o fim do modelo americano de capitalismo, marcado pela não-intervenção estatal e pela plena liberdade do mercado. A ação anunciada nesta sexta-feira por Paulson leva ainda mais longe a intervenção do Estado americano no sistema financeiro do país. É a primeira vez que o governo dos Estados Unidos anuncia uma medida dessa natureza desde a Grande Depressão.   Papel do G7   Além de anunciar um aprofundamento da recente guinada intervencionista americana, Paulson frisou também o papel dos demais países para conter a atual crise. O secretário do Tesouro afirmou ainda que o G7 está comprometido a encontrar soluções coletivas para garantir a estabilidade financeira global e resgatar a saúde da economia mundial.   "Os eventos recentes mostraram que a turbulência dos mercados é um evento global", afirmou Paulson. O secretário do Tesouro acrescentou que os países do G7 estão buscando um plano internacional e abrangente de regulamentação do sistema financeiro.

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