Bush discute pacote de estímulo no Congresso nesta terça

Democratas e republicanos divergem sobre benefícios do plano, anunciado na semana passada por Bush

22 de janeiro de 2008 | 08h34

Republicanos e democratas estão negociando o formato do pacote de estímulo econômico e esperam que uma versão final possa ser votada até março. Eles devem se encontrar nesta terça-feira, 22, com o presidente norte-americano George W. Bush para discutir o plano econômico que prevê um estímulo de US$ 145 bilhões por meio de restituições de imposto de renda de até US$ 800 para indivíduos e até US$ 1.600 para famílias. Mas cerca de 65 milhões de americanos que não ganham o suficiente para pagar imposto de renda ficarão excluídos do programa. Os democratas propõem expandir o pacote para atingir famílias de baixa renda e excluir aqueles que ganham mais de US$ 85 mil por mês. Os republicanos não concordam com a expansão do pacote e esse conflito pode acabar atrasando a aprovação. Um meio-termo seria incluir uma extensão de seguro-desemprego. Os republicanos querem que o pacote inclua incentivos fiscais para empresas - medida que pode ser aceita pelos democratas.  Também há dúvidas sobre a rapidez com que o pacote será aprovado. "Espero que não demore muito, quanto mais demorar para o pacote entrar em vigor, mais tempo vai levar para o país sair da recessão", diz Juan Manuel Licari, economista-sênior da Moody's Economy.com. A Moody's prevê que os EUA terão três trimestres de crescimento negativo, mas deve se recuperar até o fim do ano.  Para economistas, o pacote é pouco abrangente e demorará demais para sair do papel para tirar os Estados Unidos de uma recessão. "É muito pouco, tarde demais", resumiu Licari.  "As pessoas de baixa renda não vão receber estímulo", diz Licari. Quem ganha menos de US$ 40 mil não paga imposto de renda e, portanto, não terá restituição. Mas, diz Licari, pessoas dessa faixa de renda seriam justamente as mais propensas a gastar a restituição de impostos, porque elas precisam urgentemente de dinheiro. Quem ganha mais pode acabar economizando a restituição ou usando para abater dívidas. Com isso, o objetivo do pacote - injetar dinheiro na economia por meio de gastos dos consumidores - não seria atingido.  Economistas também acreditam que, para o pacote funcionar, ele deveria ser aliado a cortes maiores dos juros. A expectativa é que o Fed (banco central americano) reduza a taxa em sua reunião do dia 30.  E observadores apontam para o tamanho do pacote - quase igual ao montante que os EUA estão gastando por ano na guerra do Iraque. Desde o início da guerra, em 2003, o governo vem gastando, em média, US$ 105 bilhões por ano com a guerra do Iraque.

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