Bush diz a Lula estar disposto a mostrar flexibilidade em Doha

Declaração do presidente americano foi feita após encontro com Lula e se refere aos subsídios agrícolas

Reuters,

24 de setembro de 2007 | 20h57

O presidente dos Estados Unidos George W. Bush disse nesta segunda-feira, 24, que está disposto a mostrar flexibilidade nas negociações da Rodada Doha, principalmente na questão da agricultura. Bush fez tal afirmação após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que durou 45 minutos. "Tivemos uma boa conversa sobre Doha, um compromisso para que a rodada obtenha sucesso nas negociações comerciais", afirmou o norte-americano após a conversa com Lula.   "Eu assegurei ao presidente (Lula) que os Estados Unidos mostrariam flexibilidade, principalmente sobre as nossas diferenças na agricultura a fim de chegar a uma solução", disse Bush. "Na Rodada, o Brasil quer fazer tudo o que for necessário para chegar a um acordo", completou Lula. E disse ainda que a Rodada Doha é necessária "para que países ricos possam contribuir com países pobres".   Veja também:     EUA dão sinal positivo sobre subsídio agrícola, diz Amorim     Lula afirmou que "se conseguirmos convencer países como China, India, África do Sul, México e também Japão e União Européia, podemos alcançar um acordo nos próximos dias". Bush também agradeceu a liderança do presidente brasileiro e afirmou que "os EUA vão se beneficiar do projeto Etanol".   Muitos especialistas vêem as próximas semanas como decisivas para a Rodada Doha, iniciada em 2001, na cidade do Qatar. Na semana passada, a delegação americana em Genebra sinalizou que os Estados Unidos poderiam aceitar a redução de subsídios agrícolas para a faixa de 13 a 16 bilhões de dólares seguindo sugestão da OMC. Mas fontes do governo americano informam que Bush espera um gesto de liderança de Lula para uma redução também nas tarifas industriais, ou seja, uma aceitação dos países emergentes do texto de abertura do setor industrial, sugerido pela OMC.   Amorim, porém demonstrou certa cautela. "Em Genebra houve uma grande reação contra o texto industrial, e não foi tanto por parte do Brasil. O Brasil foi o país que atuou para evitar uma recusa do texto", disse, sem citar a Índia, um dos países que afirmaram que a oferta americana não está necessariamente ligada a uma abertura industrial dos países em desenvolvimento. Segundo Amorim, "realmente há desequilíbrios entre o texto agrícola e o industrial".   "Enquanto para os produtos industriais a proposta é muito específica, a dos produtos agrícolas está envolta em nuvens. Uma das definições que o Itamaraty espera é saber dos Estados Unidos se a oferta é reduzir o limite dos subsídios agrícolas para 16 bilhões ou para 13 bilhões, o que estaria mais próximo dos 12 bilhões reivindicados pelo G20. "Mesmo se os Estados Unidos aceitarem os números da proposta agrícola, eles têm uma margem muito grande, entre 13 e 16 bilhões de dólares; a proposta do texto industrial tem uma margem muito menor de flexibilidade."     Amorim disse que acha que será possível chegar a alguma conclusão em relação às negociações dos subsídios agrícolas, para beneficiar os países mais pobres. "O presidente Lula está pessoalmente engajado nisso e falou várias vezes com Gordon Brown (primeiro ministro do Reino Unido), vai falar isso com Bush, certamente será um assunto com a chanceler Ângela Merkel (da Alemanha) e nós temos a expectativa de que possamos sinalizar isso agora", declarou Celso Amorim.   A Rodada de Doha foi lançada em 2001 e deveria ser concluída no final de 2006. O objetivo é aprofundar a liberalização comercial de agricultura, indústria e serviços. Os principais beneficiados seriam os países em desenvolvimento. Suas negociações foram suspensas no final do ano passado pelo fracasso dos grandes parceiros comerciais (Brasil, Estados Unidos, União Européia, Índia, Japão e Austrália) em chegar a acordos sobre a redução de subsídios agrícolas e tarifas industriais.     Questão climática   Lula também afirmou após encontro com Bush que os Estados Unidos estão dispostos a uma flexibilização para discutir a questão climática. O presidente disse ainda que o Brasil está disposto a fazer sua parte para contribuir com a redução do desmatamento da Amazônia. Lula observou que todos têm responsabilidade com a questão climática. "Não se trata de achar quem é culpado. Se não cuidarmos do Planeta Terra, todos nós perderemos", disse. "É uma questão que envolve todos os seres humanos na terra", completou.   (Colaboraram Tânia Monteiro, Nalu Fernandes e Patrícia Campos Mello, do Estadão)

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