Bush poderá aumentar pacote de ajuda ao país

Pacote de ajuda fiscal nos EUA poderá ser maior do que os US$ 150 bilhões anunciados na semana passada

22 de janeiro de 2008 | 12h56

O pacote de ajuda fiscal nos Estados Unidos poderá ser maior do que os US$ 150 bilhões anunciados na semana passada. De acordo com informações da Casa Branca, o presidente norte-americano, George W. Bush, não descartou esta possibilidade e disse ainda que não prevê recessão para o país. Veja também: Fed anuncia corte emergencial em juro dos EUA, para 3,5% Turbulência nos mercados: entenda o nervosismo de hoje  Mercados têm reação positiva ao corte do juro nos EUA   Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA   Mais cedo, em uma decisão inesperada, o banco central dos Estados Unidos (Fed) cortou a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual. Com isso, a taxa que estava em 4,25% ao ano caiu para 3,5% ao ano. Nem o corte de juro, nem as declarações de Bush foram suficientes para impedir uma queda das bolsas norte-americanas. Logo na abertura, o índice Dow Jones caía 1,82% e, às 13h, a baixa era de 2,77%. Bush ainda precisa da aprovação do Congresso para implementar o pacote. Republicanos e democratas estão negociando o formato do pacote e esperam que uma versão final possa ser votada até março. Eles devem se encontrar nesta terça-feira com Bush para discutir o plano econômico. Inicialmente, a idéia era que o estímulo de US$ 150 bilhões ocorresse por meio de restituições de imposto de renda de até US$ 800 para indivíduos e até US$ 1.600 para famílias. Mas cerca de 65 milhões de americanos que não ganham o suficiente para pagar imposto de renda ficarão excluídos do programa. Os democratas propõem expandir o pacote para atingir famílias de baixa renda e excluir aqueles que ganham mais de US$ 85 mil por mês. Os republicanos não concordam com a expansão do pacote e esse conflito pode acabar atrasando a aprovação. Um meio-termo seria incluir uma extensão de seguro-desemprego. Os republicanos querem que o pacote inclua incentivos fiscais para empresas - medida que pode ser aceita pelos democratas.  Dia de pânico  Na segunda-feira, os mercados tiveram um dia de pânico. Frustrados com o pacote de Bush, as bolsas européias tiveram as maiores perdas desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, com prejuízos equivalentes a todo o PIB da Romênia e Irlanda juntos. O mercado financeiro europeu ainda completou seis semanas de perdas consecutivas, algo que não ocorria desde outubro de 1998. Nos Estados Unidos, as bolsas estava fechadas devido ao feriado de Martin Luther King Jr. Os economistas do JPMorgan em Londres avaliaram que o corte drástico dos juros pelo Fed anunciado hoje torna uma redução dos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) mais provável. "A probabilidade de o BCE seguir o Fed nos próximos meses aumentou", disseram. O banco deve aumentar sua atual taxa de probabilidade - de apenas 35% - de o BCE baixar os juros até o final do ano. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reverte parte da queda acumulada nos últimos dias. No início da tarde, a alta é de 2,64%. Neste patamar, a queda acumulada em janeiro ainda é de 13,71%. Até ontem, a perda de valor de mercado das empresas listas na Bolsa era de R$ 344,9 bilhões. Este total equivale ao valor de mercado de todas as ações de bancos negociadas na Bolsa. O setor mais afetado é o de Petróleo e Gás com queda de R$ 97,1 bilhões.

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