Bush quer ser anfitrião de cúpula internacional para discutir crise

Anúncio foi feito em Camp David; Sarkozy diz que encontro será em novembro.

Da BBC Brasil, BBC

18 Outubro 2008 | 19h36

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que os líderes mundiais precisam trabalhar juntos para resolver a crise financeira global e anunciou neste sábado que será realizada uma reunião de cúpula para isso."Eu estou ansioso para ser o anfitrião deste encontro num futuro próximo (...) para nos assegurarmos que esta crise não aconteça novamente", afirmou Bush, acrescentando que deseja contar com representantes "dos países desenvolvidos e em desenvolvimento". Ele acrescentou ainda que discutiu a proposta com o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, que preside no momento o grupo das nações mais industrializadas (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, França) e a Rússia, G8.O anúncio foi feito em Camp David, Maryland, onde o líder americano está reunido com o seu colega francês, Nicolas Sarkozy, à frente da Presidência rotativa da União Européia, e com José Manuel Durão Barroso, que preside da Comissão Européia. 'Mercados abertos'Bush disse que serão bem-vindas boas idéias de todas as partes do mundo, mas ressaltou que é essencial preservar determinados princípios econômicos. "Nós temos que resistir à tentação perigosa do isolacionismo econômico (e) continuar as políticas de mercados abertos que elevaram o padrão de vida e ajudaram milhões de pessoas a fugir da pobreza em todo o mundo", afirmou.Sarkozy disse que a reunião de cúpula poderia ser realizada antes do fim de novembro. Os líderes europeus querem que a reunião de cúpula abra caminho para conversações para reestruturar o sistema financeiro internacional.O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já havia sugerido a sede da organização, em Nova York, como local do encontro.Semana volátilO encontro entre Bush os líderes europeus acontece depois de uma semana cheia de altos e baixos para os mercados globais.O índice Dow Jones fechou a sexta-feira em baixa de 1,4%, com 8.852,22 pontos, após a divulgação de novos dados negativos sobre o desempenho da economia americana.O governo americano divulgou dados que confirmam uma queda maior do que a esperada na construção de novas casas no país. Segundo o Departamento de Comércio, a construção caiu 6,3% em setembro.Além disso, uma pesquisa divulgada pela Universidade de Michigan nesta sexta-feira aponta que o nível de confiança do consumidor americano na economia teve, no início de outubro, a segunda pior queda dos últimos 28 anos.Apesar da queda de sexta, o Dow Jones conseguiu fechar a média da semana com alta de 4,8%.A variação indica que os investidores permanecem inseguros quanto aos efeitos das medidas anunciadas nos Estados Unidos e na Europa para conter a crise financeira global, mas representa uma melhoria em relação à semana passada, quando Wall Street registrou perdas maiores e os investidores perderam bilhões de dólares. As ações européias também tiveram uma semana volátil, mas os principais índices tiveram alta nesta sexta-feira.Em Londres, o FTSE 100 fechou com ganhos de 5,2%, enquanto o Dax alemão teve alta de 3,4% e o francês Cac 40 de 4,7%.No acumulado da semana, o FTSE 100 teve ganhos de 3,3%, o Dax de 5,5% e o Cac 40 ganhou 4,8%."Esta foi a semana mais volátil que eu já vi", disse à BBC Thierry Lacraz, estrategista do banco suíço Picket.DemoraNa sexta-feira, o presidente George W. Bush fez um novo pronunciamento para procurar acalmar os investidores e os contribuintes americanos, temerosos quanto à eficiência do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo governo dos Estados Unidos para ajudar os mercados há duas semanas.Ele, no entanto, afirmou que o pacote econômico vai demorar para ter impacto na economia."As ações vão demorar mais tempo para ter seu impacto completo", disse o presidente. "Demorou um pouco para o sistema de crédito congelar, e vai demorar um pouco para o sistema de crédito descongelar", disse.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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