BVA nega contatos com grupos acusados de fraudar o Carf

Ex-administradores do banco, em processo falência, dizem que nunca autorizaram pessoas afalarem em seu nome

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2015 | 02h04

Os antigos administradores do Banco BVA informaram ontem que "jamais" mantiveram contato com grupos acusados pela Polícia Federal de fraudar decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão que julga débitos de contribuintes com a Receita Federal. Em nota, os ex-dirigentes explicaram que nunca autorizaram "ninguém a tratar, em seu nome, de qualquer assunto pertinente à instituição", que está em processo falimentar.

Conforme reportagem publicada ontem pelo Estado, a Polícia Federal suspeita que o grupo acusado de vender decisões no Carf, alvo da Operação Zelotes, também negociava sentenças judiciais. Nas escutas feitas com autorização da Justiça, investigados foram flagrados tratando do suposto pagamento de uma liminar, por R$ 60 milhões a R$ 80 milhões, em favor do BVA.

O objetivo seria reverter ordem que decretou a falência do banco, após um período de intervenção do Banco Central. Um dos envolvidos seria o ex-conselheiro Edison Pereira Rodrigues. "O BVA repudia com veemência ter tido seu nome envolvido na denúncia de supostos atos ilícitos, tese que emerge de escuta telefônica", protestaram os ex-administradores.

Os ex-dirigentes do banco anunciaram que vão promover interpelação criminal contra Rodrigues para que explique "que autoridade estaria representando na afirmada venda de 'liminares' e, ainda, quais pessoas se apresentaram para essa suposta negociação".

Escutas. As escutas citam um interlocutor de Rodrigues na negociação, identificado apenas como "Marcos". "Com certeza, essa pessoa não está constituída para atuar nas nossas ações", explicou ao Estado o advogado do BVA, Cristiano Zanin Martins.

Os ex-dirigentes do banco também vão pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público que investiguem a afirmação de que autoridades estariam em tratativas visando à venda de decisões judiciais.

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