BVA vai receber aporte de capital de R$ 300 milhões

Operação financeira deve dar folga ao patrimônio do banco, que tem sido alvo de especulações nos bastidores do mercado

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h02

O Banco BVA, 38.º maior do País, com ativos de R$ 7 bilhões ao final de março, receberá nas próximas semanas um aporte de capital de R$ 300 milhões dos sócios. A instituição tem sido alvo de comentários negativos nos bastidores do mercado nos últimos meses, principalmente depois que um plano de reorganização societária foi rejeitado pelo Banco Central (BC).

O presidente do BVA, Ivo Lodo, disse ao Estado que a questão societária não interfere no dia a dia do banco, informou que os sócios atuais estudam outro formato para alterar o bloco de controle e explicou que o capital novo dará fôlego à estratégia de voltar a crescer em 2013.

"Estamos reposicionando o banco, fazendo ajustes e, com o dinheiro adicional, nos preparamos para aproveitar um momento que deve ser melhor para a economia", disse, lembrando que as perspectivas para o ano que vem são melhores do que as de 2012.

Estruturalmente, disse Lodo, o BVA pretende fortalecer a área de serviços financeiros. "Isso não significa que vamos deixar o crédito de lado, mas a ideia é ampliar segmentos como o de consultoria a fusões e aquisições."

Caso o aporte se confirme, o BVA melhorará seus indicadores de solvência e terá espaço para ampliar a concessão de empréstimos. No fim de março, o chamado Índice de Basileia do banco estava em 13,8, acima do mínimo exigido pelo BC brasileiro, de 11. O Basileia mede a relação entre patrimônio líquido e carteira de crédito. Grosso modo, significa dizer que cada R$ 1 de capital pode se transformar em, no máximo, R$ 9 de crédito.

O ideal, no entanto, é que as instituições tenham uma folga no indicador. "No caso de um banco do tamanho do BVA, é importante mantê-lo acima de 13", afirmou um analista, que pediu para não ser identificado.

O banco ainda não divulgou os resultados do 2.º trimestre, mas é provável que o Basileia diminua, uma vez que é certo que a instituição apresentará prejuízo - em torno de R$ 95 milhões. Essa perda se reflete justamente no patrimônio líquido.

BC aperta. Com o aporte prometido, o BVA conseguiria repor o prejuízo semestral e criar um colchão que tanto pode ser usado para absorver eventuais novas perdas quanto para dar suporte à expansão do crédito.

O prejuízo semestral é fruto da alta da inadimplência e do aumento das provisões exigido pelo BC. No caso do BVA, a autoridade pediu cerca de R$ 160 milhões adicionais. Desde o fim do ano passado, o BC vem apertando o controle sobre as instituições financeiras, em especial as de pequeno e médio porte. O objetivo do BC é garantir que o sistema financeiro nacional continue saudável, a despeito da tendência da alta nos calotes.

Lodo e outro sócio, José Augusto Ferreira dos Santos, possuem, juntos, 68% das ações ordinárias do BVA. O primeiro é quem toca o dia a dia, enquanto o segundo tem a maior quantidade de ações. A reorganização societária prevê justamente a saída de Santos. Os 32% adicionais pertencem a um fundo de private equity e a uma empresa controlada pelo grupo Caoa.

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