Felipe Rau/ Estadão
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Praças lotam comissão contra reestruturação de carreira militar

Militares de baixa patente se revoltaram contra o reajuste maior para as altas patentes previsto no projeto de reforma da Previdência

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 15h57

BRASÍLIA - O reajuste maior para as altas patentes previsto no projeto de reforma da Previdência dos militares revoltou os praças. Militares da reserva de baixa patente – como sargentos e suboficiais – lotam o plenário da Comissão Especial que analisa o projeto, na tentativa de emplacar emenda que acaba com a diferenciação no reajuste. A iniciativa é encabeçada pelos militares da reserva porque os da ativa são proibidos por lei de participar de manifestações políticas.

A proposta dos militares foi encaminhada pelo Executivo ao Congresso em março, um mês após o governo apresentar a reforma da Previdência que atinge INSS e servidores federais civis. A proposta desagradou aos parlamentares por impor sacrifícios mais brandos, entre eles um pedágio menor - a exigência de tempo a mais de quem está na ativa é de 17% sobre o tempo que falta para a aposentadoria, contra adicionais de 50% a 100% no caso dos civis. 

Além de aumentar as exigências para passar para a ativa, o projeto também prevê reestruturação nas carreiras militares, com reajustes previstos até 2023 e adicionais por fatores como tempo de permanência nas Forças e realização de especializações. Pelo texto, oficiais de alta patente podem alcançar um aumento de até 73%, enquanto um soldado não conseguirá reajuste superior a 12%. De acordo com cálculos do governo, a economia com a reforma dos militares será de R$ 97,3 bilhões em dez anos, enquanto, com a reestruturação das carreiras e o reajuste salarial, haverá um aumento de R$ 86,65 bilhões.    

Em meio à disputa com o presidente no PSL, o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) disse que Bolsonaro foi “covarde” e que “se dobra aos generais” na reforma da Previdência dos militares. “O governo colocou na Comissão Especial apenas oficiais. O salário continuará sendo uma miséria para os sargentos”, disse o deputado.

"Estamos revoltados com ele. Todos apoiamos o Bolsonaro e agora ele não estão cumprindo o que prometeu, pelo contrário. Só está sendo bom para altas patentes, generais e coronéis”, afirmou o sargento da reserva, José Roberto Nogueira.

O presidente da Associação de Praças das Forças Armadas (Aprafa-Brasil), Jair da Silva Santos, disse que Bolsonaro perdeu o apoio maciço que tinha entre os militares de graduação mais baixa. “De subtenente para baixo, estão todos revoltados. Todos falando que não vão apoiar Bolsonaro em uma nova eleição por causa da falta de consideração do presidente”, afirmou.

Os praças percorreram gabinetes na tentativa de aprovar um destaque apresentado pelo PSOL que faz mudanças no texto para que os reajustes alcancem todos os militares. Entre as mudanças está a previsão da retirada do adicional de acordo com os cursos de altos estudos.

 

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