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EFE
EFE

Caça de baleias opõe Austrália e Japão em tribunal da ONU

Austrália recorre ao tribunal da ONU, na Holanda, e Japão se defende alegando que caça é 'científica' 

27 de junho de 2013 | 14h56

HAIA - A Austrália e o Japão, dois países com estreitos laços comerciais, estão se enfrentando em uma dura batalha na Corte Internacional de Justiça, maior órgão judicial das Nações Unidas, por causa da caça às baleias.

A Austrália recorreu à Corte de Haia, na Holanda, para tentar proibir o Japão de caçar baleias na Antártida, uma batalha considerada crucial, segundo os ecologistas, para garantir o futuro dos cetáceos.

"Nós somos contrários à violação do direito internacional cometido pelo Japão na matança de baleias, mas os caçadores japoneses se recusam a por fim às suas atividades", afirmou Bill Campbell, advogado do governo australiano, ao iniciar a audiência no tribunal internacional de Haia.

"O Japão tenta dissimular a caça às baleias com objetivo comercial com a desculpa científica", acrescentou o advogado. "Simplesmente, não se trata de ciência".

A Austrália recorreu á corte internacional em 2010, ao considerar que o Japão viola suas obrigações internacionais ao caçar centenas de belais por ano no Oceano Austral, na área de seu programa de investigação científica Jarpa II.

A comissão internacional de baleias (CBI) proíbe qualquer caça  comercial em respeito a uma moratória decretada em 1986. A Austrália considera que o Japão burla a proibição ao autorizar a caça com 'fins científicos'.

A carne de baleia acaba nos restaurantes e mercados japoneses, onde é oferecida como um prato tradicional da cultura local. Além do Japão, apenas a Noruega e Islândia continuam com a caça apesar da moratória internacional.

A Austrália agora tenta apresentar seus argumentos no Palácio da Paz, em Haia, onde está a sede da corte internacional. Os japoneses vão apresentar sua defesa na próxima semana, mas a decisão pode durar meses.

Entre 1987 e 2005, estima-se que foram mortas cerca de 6,8 mil baleias Minke na Antártida, na área do programa Jarpa I, do Japão. Outras 2,6 mil já teriam sido mortas na segunda etapa do programa científico do Japão, o Jarpa II.

O Japão autoriza a cala de baleias Minke e também da espécie Jubarte, considera em risco de extinção. O governo japonês garante que o seu programa, apesar das críticas da comunidade internacional, é legítimo. O objetivo seria o de demonstrar que as populações de baleias podem suportar a caça comercial sem estarem ameaçadas.

"A caça científica da baleia do Japão tem objetivos científicos e acatam as leis internacionais",disse Koji Tsuruoka, vice-ministro de Relações Exteriores do Japão. "O Japão se orgulha das suas tradições e da vida em harmonia com a natureza, com a utilização tradicional de recursos", acrescentou, ao chegar à corte.

Ecologistas não aceitam os argumentos do Japão e tentam conter a caça. Em fevereiro, militantes da organização Sea Shepherd tentaram cercar um navio de caça japonês em alto mar. O navio dos ecologistas chocou-se contra um barco de caça, e os dois lados trocam acusações até hoje sobre quem foi o culpado pelo acidente.

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