Cacciola deverá usar tornozeleira com chip

Preso há três anos e quatro meses, desde que foi encontrado pela polícia do Principado de Mônaco passeando numa praça, o banqueiro italiano Salvatore Alberto Cacciola está prestes a circular fora dos muros dos presídios após obter a concessão do regime semiaberto na quinta-feira, por decisão da juíza Roberta Barrouin Carvalho de Souza, da Vara de Execuções Penais do Rio.

Marcelo Auler / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

Sem perda de tempo, seu advogado, Manuel de Jesus Soares, anunciou que ontem mesmo ingressaria em Juízo com o primeiro pedido de benefício para o cliente: a visita periódica ao lar (VPL) que, dependendo da decisão do juiz, pode ser durante um fim de semana integral, saindo aos sábados pela manhã e voltando no domingo à noite. Na semana que vem, ele pretende pedir autorização para o preso trabalhar, mas depende de uma proposta de emprego que ainda não quis anunciar.

Controle. Cacciola poderá ser um dos primeiros presos a usar, no Rio, as tornozeleiras ou pulseiras com chips que controlam presidiários em liberdade provisória. Na véspera de sair sua progressão de regime, o Tribunal de Justiça e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) firmaram acordo para usar 300 desses apetrechos, a partir de 2 de fevereiro, quarta-feira. "Todos os presos que tiverem direito a sair do presídio usarão o equipamento", anunciou o presidente do tribunal, Luiz Zveiter, na quarta-feira.

O advogado de Cacciola contesta a necessidade desse controle. Lembra que seu cliente não cometeu crime hediondo - a condenação a 13 anos de cadeia é por crimes contra o sistema financeiro. Mesmo admitindo que o fato de ele ter viajado para a Itália, em 2000, poderá pesar contra Cacciola, Soares esclarece "que ele não empreendeu fuga ao se ausentar do País, pois estava liberado pelo Supremo Tribunal Federal, sem impedimento de viagens".

"Depois que a decisão foi cassada é que ele ficou no país no qual estava, mas mesmo lá não se furtou a responder o processo, tanto que foi ouvido por carta rogatória", explica.

Com a passagem para o regime semiaberto, Cacciola deverá ser transferido do Presídio de Bangu 8 para o Instituto Penal Plácido Sá Carvalho, onde terá maior liberdade interna.

Mas, para atravessar os muros do presídio e deixar o Complexo de Gericinó, onde se concentram 19 instituições carcerárias, ele dependerá de autorização do juiz que analisará caso a caso, inclusive investigando a promessa de emprego e pedindo a manifestação de assistentes sociais sobre as visitas periódicas ao lar.

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