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Cacciola ficará preso até que o Brasil peça sua extradição

Juiz de instrução de Mônaco comunica a decisão aos advogados, que não apresentaram pedido de liberdade

Andrei Netto, enviado especial,

18 de setembro de 2007 | 12h43

Um juiz de instrução de Mônaco decidiu em audiência desta terça-feira, 18, que o ex-banqueiro Salvatore Cacciola vai continuar preso até que o governo brasileiro formalize o pedido de extradição. Esta foi a segunda audiência do ex-banqueiro na Justiça desde que ele foi preso, no sábado, 14, e foi solicitada pelo próprio juiz. O ex-banqueiro chegou de camburão ao Palácio de Justiça, no distrito de Monaco-Ville, por volta das 14h15, acompanhado de dois advogados, uma italiana e um monegasco.  "Faremos tudo para que Cacciola seja extraditado", diz Tarso Genro Com a decisão divulgada nesta terça, o ex-banqueiro ficará preso até que o pedido chegue à Corte em Mônaco e que o processo de extradição seja aberto. Ao contrário do que se esperava, a defesa do ex-banqueiro não apresentou argumentos contra a prisão. A Justiça de Mônaco acredita que nos próximos dias a defesa deve pedir outras audiências para que seja entregue o pedido de liberdade de Cacciola. A eventual libertação de Cacciola poderia permitir que ele tentasse retornar à Itália, onde esteve foragido desde que deixou o Brasil em 2000. A Itália tem se recusado a extraditá-lo, pois o ex-banqueiro também tem cidadania italiana.   Na segunda-feira, 17, o governo federal enviou ao Principado de Mônaco a diplomata Maria Laura da Rocha para apresentar à Justiça e às autoridades daquele país o interesse do Brasil na extradição do ex-banqueiro. "É difícil saber se ele será extraditado, é uma decisão soberana da Justiça de Mônaco, mas faremos tudo para que ele seja trazido o mais rápido possível", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro. Ele até se dispõe a viajar para Mônaco, caso sua presença seja recomendada pela emissária do Itamaraty. "Mas não farei nenhum ato precipitado, para evitar qualquer interpretação espetaculosa", afirmou Tarso. O ministro afirmou também que a inexistência de tratado de extradição entre os dois países não é impedimento para a transferência do ex-banqueiro, condenado, em 2005, a 13 anos de prisão pela Justiça brasileira por peculato e gestão fraudulenta do banco Marka. A alternativa analisada para obter a extradição, conforme o ministro, é a assinatura de um acordo de reciprocidade com o país, pelo qual o Brasil se compromete a atender demanda semelhante no futuro. Um novo pedido de prisão preventiva contra Cacciola será protocolado nesta terça na 5ª Vara Federal Criminal do Rio, referente a outra ação por fraude contra o sistema financeiro, de 2004. Há ações contra ele na 4ª e na 6ª Varas.  Entenda o caso O Banco Marka e o Banco Fontecindam foram socorridos pelo Banco Central um dia após a mudança do regime cambial, em 14 de janeiro de 1999. Na prática, o que ocorreu foi que os dois bancos haviam apostado que o real não seria desvalorizado e venderam vultosos contratos de dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em operações de derivativos. Quando a política cambial foi modificada e se adotou o regime de flutuação do dólar, os bancos constataram que haviam apostado no 'perdedor' e, assim, ficaram impossibilitados de cumprir os contratos. Foram salvos, então, pelo Banco Central, que lhes vendeu dólares a R$ 1,27 e a R$ 1,32,respectivamente, quando a cotação estava em R$ 1,55, em quantidades suficientes para que honrassem seus compromissos.  Salvatore Cacciola, presidente do Banco Marka, havia sido condenado a 13 anos de prisão por desvio de dinheiro público e gestão fraudulenta de instituição financeira. Ele estava foragido há sete anos e foi preso pela Interpol em Mônaco, no sábado, 15. Texto ampliado às 12h55 para acréscimo de informações.

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