‘Cachoeira de caramelo’ assusta moradores após incêndio em armazém de açúcar

Mais de 30 mil toneladas de açúcar foram derretidas após o segundo grande incêndio no sistema de logística do setor em uma semana, o que já inflaciona os preços no mercado internacional

Chico Siqueira, especial para o Estadão,

28 de outubro de 2013 | 13h04

ARAÇATUBA – O incêndio na estação de transbordo rodoferroviário da Agrovia Brasil, em Santa Adélia (SP),  provocou  uma "cachoeira de caramelo" que invadiu casas e poluiu o rio São Domingos, causando a mortandade de peixes, informou a Cetesb.

O incêndio começou na sexta-feira e ainda não foi totalmente debelado após mais de 70 horas de trabalho dos bombeiros. O fogo derreteu cerca de 30 mil toneladas de açúcar que estavam estocadas num dos armazéns.

Foram feitas barreiras de contenção para evitar que o açúcar derretido entre nas casas. Moradores foram levados para um hotel. A força do açúcar derretido e alta temperatura podem derrubar o armazém.

Segundo a Agrovia, o incêndio ocorreu no terminal 2, devido a uma faísca que atingiu a esteira que leva o adoçante da caçamba ao trem de carga. A empresa diz que o fogo está controlado, mas que a temperatura ainda está elevada. Por isso, o Corpo de Bombeiros está no local para evitar novo incêndio.

Não houve feridos. Foram feitas barreiras de contenção para evitar que o açúcar derretido entre nas casas, e os moradores foram levados para hotéis da região.

De acordo com a Agrovia, o terminal, que tem capacidade de armazenagem de 35 mil toneladas do produto, deve ser demolido após a limpeza da área, e um novo deve ser construído.

A companhia afirma que os clientes e os acionistas não serão prejudicados, pois o açúcar perdido possui seguro. Além disso, diz que a quantidade incendiada representa apenas 0,2% do açúcar produzido no Estado de São Paulo. A Agrovia movimenta 1,2 milhão de toneladas de açúcar por ano.

Santos. O incêndio em Santa Adélia começou na sexta-feira, 25, exatamente depois de uma semana que outro grande incêndio no Porto de Santos destruiu seis armazéns arrendados pela Copersucar, a maior exportadora de açúcar e etanol do Brasil.

Os seis galpões da Copersucar tinham capacidade de armazenamento de 300 mil toneladas.

Pela cotação atual, a perda desse volume de açúcar representaria um prejuízo de aproximadamente R$ 130 milhões, segundo especialistas consultados pela Agência Estado.

Por causa do incêndio em Santos, o preço do açúcar subiu no mesmo dia 2,63% nos contratos para entrega futura na Bolsa de Nova York.

O motivo da alta é que os terminais atingidos representam 25% da capacidade de embarque de açúcar do Brasil em um ano (6 milhões de toneladas).

O País é o maior produtor mundial. Neste ano, até setembro, o Brasil exportou 13 milhões de toneladas de açúcar, faturando US$ 5,9 bilhões. Não se sabe quanto tempo será necessário até que os embarques sejam normalizados.

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