Cada consumidor deve R$ 3.772 aos bancos

Dívida do brasileiro cresceu R$ 48 em 30 dias entre agosto e setembro, último dado do BC; dívida não para de crescer desde janeiro de 2009 

Fernando Nakagawa, de O Estado de S.Paulo,

17 de dezembro de 2011 | 18h51

BRASÍLIA - A dívida média de cada brasileiro aumentou R$ 48 nos 30 dias do último mês de setembro. Pode parecer uma alta pequena, já que a cifra representa um modesto crescimento de pouco mais de 1% no endividamento de cada um dos 192 milhões de habitantes do País que, atualmente, devem R$ 3.772 cada aos bancos e financeiras. Mas quando a dívida de todos os brasileiros é somada, a conta é pesada: a dívida das famílias cresceu R$ 8,9 bilhões apenas em um mês.

Dados do Banco Central atualizados até setembro mostram que o endividamento das famílias não para de crescer desde janeiro de 2009, ainda no turbilhão da crise passada. Em setembro último, brasileiros somavam financiamentos e empréstimos que equivaliam a 42,2% da renda acumulada em um ano. Um mês antes, o porcentual estava em 41,8% e em setembro de 2010, em 38,5%.

Brasileiros têm contraído cada vez mais dívidas graças a um cenário favorável que mistura decisão governamental, crescimento da renda, democratização dos serviços bancários e maior da confiança das famílias.

O ambiente favorável começou a ser construído de forma mais agressiva pela equipe econômica no fim de 2008, quando o Brasil começava a sofrer com os efeitos da crise passada. Na época, o governo decidiu que famílias deveriam aumentar o consumo via crédito para manter a demanda aquecida no comércio e, assim, aumentar a produção na indústria. As instruções foram seguidas à risca pelos estatais Banco do Brasil e Caixa, que passaram a oferecer volumes recordes de crédito.

Acesso. Ao mesmo tempo, o aumento da renda e a formalização de trabalhadores permitiram que muitos brasileiros tivessem o primeiro acesso aos serviços bancários. Diante disso, famílias que experimentaram melhora nos últimos anos ganharam confiança e, apostando que a bonança deve continuar, passaram a tomar crédito com prazos mais longos.

Importante para a saída da crise, o crédito não diminuiu de ritmo no período em que a economia passou a crescer rapidamente em 2010 e até o governo precisou agir para esfriar o avanço. Na época, o Banco Central e o Ministério da Fazenda chegaram a adotar medidas como aumento de imposto e juros, mas a ação não foi suficiente e o endividamento continuou crescendo e batendo recordes mês após mês.

Dessa maneira, o ano termina com famílias que comprometem 22,2% da renda mensal com o pagamento de parcelas e carnês. Três anos antes, quando a crise passada começou, os números eram mais modestos e brasileiros usavam 18,3% do salário para pagar as dívidas todo mês.

O BC explica que proporcionalmente a dívida cresceu mais rápido que as parcelas pagas pela população porque o salário aumentou, além de os financiamentos atualmente terem prazo maior e o juro menor - o que dilui o valor de cada prestação.

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