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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Cada um por si

Confiança não é mercadoria que os senhores do mundo têm para vender no momento.A reunião dos ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do Grupo dos 20 (os 7 mais ricos e outros 13 emergentes), realizada neste fim de semana no resort de Kleinmond, na África do Sul, conseguiu partilhar mais preocupação do que esperança.A paisagem econômica predominante é pesada e não deverá mudar tão cedo: é a da submersão da principal moeda de reserva do mundo, o dólar; de recessão econômica cada vez mais provável; de inflação global crescente à medida que avança a alta dos alimentos e dos combustíveis e a própria desvalorização do dólar, que encarece os importados nos Estados Unidos; e de novos desdobramentos para a crise do crédito hipotecário de alto risco. Os mais fortes focos de luz desse encontro foram dirigidos para a derrubada do dólar nos mercados. Mas, sobre esse tema, os pronunciamentos foram dispersivos e inconclusivos.Em vez de apontar saídas, alguns dos maiorais que lá estiveram preferiram enfatizar que não gostam do que acontece. O presidente do Banco Central Europeu, o francês Jean-Claude Trichet, disse que se opõe a "movimentos cambiais bruscos". A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, afirmou que as "tensões do mercado" trazem insegurança. E daí?O ministro das Finanças da África do Sul, Trevor Manuel, escolheu um adjetivo que lembra uma famosa obra de Voltaire: "Foram cândidos." O presidente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, que acaba de ser empossado, foi mais explicativo: os discursos foram assim porque "os países não têm os mesmos interesses".Sobre esse tema, as perorações se estenderam sobre um terreno de pouca objetividade. Sem explicar com quantos paus se faz a canoa, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, insistiu em que o objetivo do governo americano é perseguir o "dólar forte". É uma retórica que vem sendo repetida por todos os que ocuparam seu cargo nos últimos 15 anos e, no entanto, o dólar segue perdendo musculatura.Mais do que isso, o comunicado do encontro pede que os asiáticos aumentem sua responsabilidade na superação dos desequilíbrios internacionais, como se estes fossem produzidos por eles.Mais uma vez pressionaram a China para que revalorize o yuan. E, como das outras vezes, o presidente do Banco do Povo da China (banco central), Zhou Xiaochuan, avisou que vai pensar em alargar a banda cambial, "se isso vier a ser necessário".Em nenhum momento as autoridades dos Estados Unidos assumiram o compromisso de eliminar os rombos de sua economia, que estão na origem dos problemas. De volta aos Estados Unidos, Paulson explicou que a recuperação do dólar virá naturalmente, à medida que a saúde dos fundamentos da economia americana se refletirem nas condições do dólar. Se é assim, por que então forçar os chineses a produzir um efeito que acontecerá espontaneamente?É ingenuidade esperar que os senhores do mundo se sintam na obrigação de coordenar uma política de eliminação dos atuais desequilíbrios globais, como chegou a sugerir a ministra Lagarde.É cada um por si e seja o que Deus quiser.ConfiraPiorou - Bem que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, avisou que "a crise vai piorar antes de começar a melhorar". Ontem, apareceram novos esqueletos.William Tanona, analista da Goldman Sachs, afirmou que o Citigroup terá de acusar outros US$ 15 bi em perdas. No início de novembro, o banco admitia perdas de US$ 8 bi a US$ 11 bi e custou o pescoço do seu presidente Charles Prince. Outros seis foram rebaixados por Tanona: Bear Stearns, E*Trade Financial, JPMorgan, Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley.

O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2007 | 00h00

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