André Dusek | Estadão
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Cadastro positivo enfrenta resistência de bancos

Regulamentação foi lançada há alguns anos, mas não surtiu efeitos desejados por conta do receio das instituições em compartilhar informações

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2017 | 22h30

BRASÍLIA - A preocupação do governo é que as medidas microeconômicas que devem ser anunciadas na semana que vem não tenham um caráter intervencionista, de cunho voluntarista, mas sim efeito de fato. O governo quer evitar o aconteceu com o cadastro positivo, que não funcionou na prática depois que a regulamentação foi lançada há alguns anos.

“Em vários países do mundo, o cadastro funciona, mas no Brasil ele sofreu resistências porque os bancos não querem compartilhar informação da sua base de clientes. Isso porque esse compartilhamento aumenta a concorrência e eles perdem poder de mercado”, disse uma fonte envolvida nas negociações.

A melhoria das garantias é outro ponto central para a redução do custo e da inadimplência, um dos itens que pesam para a elevação da spread bancário, além da carga tributária.

Para o ex-presidente do BC Armínio Fraga, a melhoria do cadastro positivo é muito importante nessa agenda. Ele lembrou que Ilan Goldfajn, quando integrou a sua equipe no BC, trabalhou numa agenda de redução do spread. Para ele, a retomada dessa estratégia vem em boa hora e deve incluir medidas para diminuir a concentração bancária e a entrada de novos concorrentes.

Segundo fontes, “querendo ou não os grandes bancos”, há que se enfrentar a questão da alta concentração bancária. “Não é uma bala de prata, mas também não pode ser ignorada”, afirmou uma fonte. A estratégia é afastar as barreiras de entrada para os bancos estrangeiros no mercado, identificando as razões pelas quais eles não conseguem se manter rentáveis no Brasil, como Citibank, BBVA e tantas outras instituições que chegaram no passado ao mercado brasileiro.

Para o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas, a redução do spread não vai acontecer de uma hora para outra, principalmente porque hoje os bancos não querem emprestar. Segundo ele, será preciso a redução da carga tributária. “Não faz sentido ter IOF sobre a intermediação financeira.” Ele diz que o BC também precisa tirar os bancos da zona de conforto proporcionada pelas operações overnight de mercado aberto, que administram a liquidez do mercado. Na sua avaliação, é necessário que os bancos tenham mais riscos nessas operações diárias para que sejam estimulados a emprestar mais.

Procurada, a Febraban não quis colocar um porta-voz para falar sobre a agenda. Disse apenas que apoia as iniciativas e está trabalhando junto com o BC para a melhoria do ambiente de crédito.

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