Cadastro positivo incluiria 26 milhões de pessoas no crédito, diz Serasa

Medida reduz incerteza da concessão de crédito e evitaria sistema de 'precificação de juros imperfeito'

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 14h00

A criação de um cadastro positivo de crédito no Brasil faria com que 26 milhões de pessoas, na maioria trabalhadores informais, tivessem acesso ao mercado de crédito. Além disso, o sistema de gestão de risco permitiria uma queda de 45% nos spreads cobrados nas operações de financiamento, segundo estudo da Serasa Experian.

"O cadastro positivo reduziria a incerteza na concessão. Quando se concede crédito baseado em informações negativas, como é hoje, o sistema de precificação dos juros fica imperfeito", disse o presidente da Unidade Pessoa Física, Laércio de Oliveira Pinto, durante palestra promovida pela Serasa Experian e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

O projeto de lei que cria o cadastro positivo entrou em tramitação em 2005, mas ainda precisa ser votado pelo Senado Federal. Embora seja uma demanda antiga do setor financeiro, as próprias instituições que defendem a implementação do cadastro não esperam a sua aprovação para este ano. "Não entendemos porque tanta dificuldade em aprovar uma lei que beneficia os tomadores de crédito e os credores", afirmou o executivo.

Privacidade

Outro defensor do cadastro é o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli, que acredita que sua implementação serviria para reduzir os juros nas modalidades em que as taxas são mais elevadas, como o cartão de crédito. "Essa é uma linha em que não há garantia nenhuma. O cadastro positivo iria ajudar muito nessas concessões."

Uma das críticas ao cadastro positivo, feita por parte das entidades de defesa do consumidor, é que esse sistema violaria a privacidade dos consumidores. O diretor de Crédito e Cobrança do Itaú  Unibanco, Marcos Vanderlei Belini Ferreira, não vê esse risco, uma vez que as informações negativas, ou seja, de inadimplência por parte dos consumidores, já são informados aos órgãos que fazem a gestão desses bancos de dados, como a Serasa. "Se os dados ficarem restritos às informações de consumo, não há invasão de privacidade."

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